O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente
Enviada em 11/11/2021
No último século, desde a popularização da energia elétrica, diversos equipamentos foram desenvolvidos com o intuito de se facilitar a vida e o trabalho. O descarte desses objetos industrializados, contudo, tem se tornado uma questão política de características nacionais. Nesse contexto, percebe-se o surgimento de graves problemas de contornos específicos, em virtude dos novos modelos produtivos e da falta de políticas voltadas aos catadores de rejeitos eletrônicos.
Nessa perspectiva, cabe ressaltar que, de acordo com o sociólogo brasileiro Milton Santos, a pressão econômica sobre o meio social e ambiental é parte intrínseca da nova matriz produtiva brasileira. Dentre as principais atividades dessa produção que impactam de forma negativa, encontram-se a obsolescência programada e a poluição química. Ambas provocadas por um contexto em que o resultado financeiro se sobrepõe ao resultado ambiental. Isso ocorre porque se aumenta a velocidade de descarte e de produção de equipamentos tecnológicos, que não são biodegradáveis. Esses produtos, quando mal acondicionados, levam à poluição do ar, de rios e até do meio urbano, por conta do ciclo hidrológico – como no caso da chuva ácida.
Outrossim, surgem demandas da própria economia pela reutilização de muitos desses objetos eletrônicos descartados. Tal trabalho costuma ser realizado por catadores autônomos que recolhem esse lixo tecnológico para reaproveitamento de peças e de materiais. Entretanto, a falta de auxílio governamental prejudica a realização desses empreendimentos. Exemplo disso se percebe quando quem trabalha com essas atividades contrai doenças relacionadas a metais pesados – subproduto desse tipo de indústria. Também há de se mencionar o fato de muitos desses trabalhadores não possuírem conhecimento necessário para lidarem com rejeitos processados, o que agrava ainda mais o problema ambiental.
Portanto, cabe ao Estado, por meio do Ministério do Meio Ambiente, criar um programa educacional de inclusão e capacitação de catadores de rejeitos eletrônicos. Esse projeto será levado a cooperativas e locais similares, onde os trabalhadores poderão acompanhar de perto as aulas. Mais precisamente, será ensinado aos trabalhadores sobre cuidados ambientais e de saúde. Tais iniciativas pretendem inserir esse tipo de trabalhador na economia formal e protegê-lo dos revezes intrínsecos a sua atividade. Com isso, mitigam-se os impactos do lixo eletrônico no meio ambiente.