O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente
Enviada em 17/11/2021
O Grande Fedor, período em que emergiram as consequências sociais do descarte indevido de resíduos de manufaturados na Inglaterra pós-Revolução Industrial, foi o símbolo da ressignificação da ação humana com relação ao espaço natural. Mediante ao exposto, ao analisar os obstáculos advindos do advento tecnológico, constata-se uma nova reestruturação dos valores da relação entre ser e meio, fator que coloca em pauta a problemática do descarte impróprio de componentes digitais e, assim, evidenciam-se os impactos do lixo eletrônico no meio ambiente. Por isso, graças ao sucateamento do planeta e ao enfraquecimento do vínculo do homem e da natureza, a conjectura assola a coletividade.
Em primeiro plano, o acúmulo exacerbado de resíduos tecnológicos corrobora a conjuntura. Nesse sentido, o filme “Wall-E”, produzido pela “Pixar Studios”, retrata um futuro distópico em que as sobras da produção antrópica substituem a paisagem natural, o que culmina na evasão da raça humana do planeta. Dessa forma, a partir do momento em que o despejo de lixo eletrônico deturpa a superfície ambiental, a própria ação humana fica comprometida, o que reflete na insuficiência de recursos e, desse modo, faz com que o elo de interdependência entre a natureza e o homem se esgote, fator que deixa a raça humana desamparada em meio a própria destruição, como alude a ficção. Logo, devido ao consequente sucateamento da paisagem, o descarte indevido de lixo eletrônico traz obstáculos.
Por conseguinte, a atenuação da interação entre meio e homem danifica o coletivo como um todo. Nesse viés, na obra literária “Diário de Anne Frank”, a autora, em período de graves crimes humanitários e ambientais durante a Segunda Guerra Mundial, disserta sobre a condição de pertencimento do ser humano à natureza e considera a mutualidade de beneficiamentos fulcral à sociedade. Dessa maneira, no instante em que resíduos eletrônicos em excesso tomam posse da paisagem, vê-se uma sobreposição da relação entre espaço natural e indivíduo por interesses insustentáveis, o que faz atenuar o primitivo estado de pertencimento ao ambiente e torna próximo da realidade o universo distópico de “Wall-E”. Assim, são necessárias medidas interventivas.
Portanto, depreende-se que a questão da exuberante quantidade lixo eletrônico no meio ambiente é um desafio e carece de soluções. Sendo assim, o Estado, ao lançar mão de dados estatísticos de descartes corroborados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, por meio do fortalecimento legislativo em relação ao destino de resíduos tecnológicos, como a aplicação de multas às infrações, deve atenuar o nefasto despejo indevido de tecnologias, a fim de desacelerar o processo de sucateamento do planeta Terra e, dessa forma, fazer recrudescer o vínculo entre meio e ser intrínseco à existência humana, como outrora no Reino Unido já fora desprezado e sobreposto por interesses fúteis.