O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente
Enviada em 12/11/2021
O século XXI trouxe, com a Revolução Técnico-Científica e Informacional, uma maior circulação de pessoas, capitais e um aumento na confecção de produtos eletrônicos. Nesse contexto, a elevada produção de lixo, especialmente a de lixo eletrônico, o prejuízo ao meio ambiente e à saúde humana caminharam juntos na globalização. Acerca disso, inúmeros países do mundo, inclusive o Brasil, têm desafios diante dos impactos ambientais causados pela alta produção desse despejo, seja pela dinâmica capitalista, seja pelo dano causado pela alienação.
Sob esse viés, a alta produção desse tipo de lixo tem como base o meio consumista que visa exclusivamente o grande lucro. Nesse cenário, segundo Adorno, sociólogo da Escola de Frankfurt, a Indústria Cultural, uma forma de capitalizar a cultura para a manipulação de pessoas para o consumo, estimula a aquisição, cada vez em maior quantidade, de produtos para uma suposta melhoria da qualidade de vida. Nessa perspectiva, o aumento do consumo, principalmente o de bens digitais, aumenta a produção de lixo eletrônico. Visto isso, como consequência, o Brasil em 2021, segundo a Agência Brasil, tornou-se o quinto país que mais produziu detritos tecnológicos no mundo. Assim, o alto consumismo, além de prejudicar cada pessoa, causa danos ao meio ambiente.
Em segunda análise, os impactos ambientes causados pelo lixo eletrônico advêm da falta de conhecimento sobre o que é esse detrito. A esse respeito, como retrata Paulo Freire, filósofo brasileiro, a educação é a forma de emancipar e libertar cada pessoa para um mundo mais reflexivo e justo. Diante desse fato, a ausência do conhecimento, ao provocar alienação, prejudica a natureza e o próprio ser humano. Sobre isso, o lixo digital no meio natural causa, primordialmente, a magnificação trófica, ou seja, a bioacumulação de metais pesados. Com isso, tem-se uma alta acumulação dessas substâncias em organismos de topo de cadeia, causando danos às suas saúdes. Portanto, a falta de conhecimento ajuda não só na propagação da ignorância, como também em prejuízos à saúde e ao meio ambiente.
Dessa forma, o lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente passam tanto pela ótica capitalista, quanto pela falta de informação do que é esse detrito. Nesse sentido, o Estado brasileiro, por meio do Ministério da Educação, deve criar normas curriculares, seja nos campos da biologia, seja nas áreas de filosofia, a fim de instruir crianças, adolescentes e adultos sobre a conscientização do consumismo e o sobre o que é o lixo eletrônico e o que causa. Nesse ínterim, pessoas mais instruídas diminuirão seus ímpetos de compras e, consequentemente, a produção de lixo. Ademais, saberão o que é cada tipo de lixo e descartarão cada um no seu devido lugar. Logo, então, os impactos na natureza e no ser humano reduzirão com o tempo e facilitarão a dinâmica ambiental e social no futuro.