O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente
Enviada em 12/11/2021
A animação “Wall-e” retrata de forma pessimista o futuro do planeta Terra. Na obra, um robô é encarregado de limpar o planeta, a fim de torná-lo habitável para a humanidade. De modo lastimável, o excesso de lixo eletrônico descartado no Brasil faz da trama ficcional um aviso para os humanos. Nesse cenário, a negligência estatal contribui para o descarte incorreto desse lixo e, com isso, fomenta a degradação ambiental.
Convém ressaltar, a princípio, que, entre os obstáculos para mitigar a produção de lixo eletrônico, está o descaso governamental. Sobre esse tema, no livro “Cidadão de Papel”, Gilberto Dimenstein afirmou que a legislação brasileira é ineficaz, visto que, apesar de aparentar ser completa, muitas vezes não se concretiza na prática. No caso do descarte do lixo em questão, embora a Política Nacional de Resíduos Sólidos atribua ao fabricante a obrigação de praticar a logística reversa, na realidade o Brasil é o quinto maior produtor de resíduos eletrônicos do mundo, segundo dados da organização sem fins lucrativos Green Eletron. Dessa forma, negligência estatal está na ausência de fiscalização das leis acerca do destino do lixo eletrônico.
Ademais, vale salientar que, devido ao descaso do Estado, o meio ambiente é ameaçado pelas indústria de eletrônicos. De acordo com o filósofo Karl Marx, no sistema capitalista, privilegia-se o lucro em detrimento de valores. Nesse viés, por ser uma prática que requer investimento para o retorno dos materiais e a reutilização destes, a logística reversa não é de interesse das empresas, pois afetam negativamente sua lucratividade. Sob essa ótica, sem fiscalização, ocorre o descarte irregular dos equipamentos eletrônicos, que possuem metais pesados em sua composição, em aterros sanitários. Assim, a ineficácia legislativa impulsiona a poluição do solo e da água com substâncias tóxicas.
Dessarte, para mitigar a degradação ambiental causada pelo lixo eletrônico, urge que o Ministério do Meio Ambiente, por meio de uma proposta de lei, crie um projeto de fiscalização e ampliação da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Em síntese, o governo deve vistoriar periodicamente as empresas, a fim de verificar a prática da logística reversa. Além disso, para ampliar o interesse das indústrias, o projeto deve propor uma redução de imposto para aquelas que cumprirem a legislação, Feito isso, será possível evitar o futuro previsto em “Wall-e”.