O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente
Enviada em 16/11/2021
O artigo 225 da Constituição Federal brasileira prevê como direito dos seus cidadãos o meio ambiente ecologicamente equilibrado, por este ser essencial à qualidade de vida. Com essas reflexões, pode-se afirmar que o bem-estar social é inerente ao bem-estar ambiental. No entanto, na contemporaneidade, o lixo eletronico e o seu descarte irregular em ascenção causam preocupações no que tange aos impactos à natureza e ao homem, principalmente devido à obsolescência programada desses produtos, que resulta, à curto prazo, no seu abandono em lixões, e, à longo prazo, na bioacumulação nos organismos. Dessa forma, é necessário criar medidas fortes para viabilizar a logistica reversa nas empresas para esses chamados e-lixos.
Entre os fatores responsáveis pelo descarte irregular constante desse tipo de lixo, destaca-se o método de “obsolescência programada”. Esse modelo industrial de produção iniciou-se em 1930, com a Grande Depressão desencadeada nos Estados Unidos, em que as empresas em falência precisaram pensar em formas de incentivar a produção em série e o grande consumo para recuperar a economia. Com isso, começou-se a desenvolver produtos com o término da vida útil definido para a curta duração, o que gera a compra frequente e o abandono do objeto anterior de forma incorreta, em lixões e aterros. Assim, dados da ONU de que o Brasil produz 1,5 milhões de toneladas de e-lixo por ano comprovam essa grande problemática e fazem necessário a criação de medidas para reciclá-los.
Observa-se, consequentemente, o aumento dos prejuízos à curto e à longo prazo à partir do abandono de eletrônicos de forma irregular. No que diz respeito aos problemas à curto prazo, ocorre, no solo e na água, a absorção de resíduos que demoram décadas para serem biodegradados, de metais pesados - como chumbo e mercúrio - a plásticos, o que causa a poluição do ambiente. Por sua vez, à longo prazo, à partir dessa bioacumulação - que é o processo no qual essas substâncias são absorvidas e acumuladas pela fauna e flona - resíduos se conglomeram no organismo humano por meio da cadeia alimentar, na qual aquele no topo é o mais afetado. Dessa forma, a saúde é impactada com problemas respiratórios, danos no sistema nervoso e doenças como câncer, o que configura o problema do e-lixo como uma questão de saúde pública a qual o Estado não atende.
Fica clara, portanto, a necessidade do Ministério do Meio Ambiente de impor, dos consumidores aos fabricantes, por meio da criação de redes de coleta e de divulgação massiva nas mídias sociais, responsabilidades para a implementação das logísticas reversas, que são sistemas que dão fim adequado a esse lixo e transformam-no em novo material. Essa atitude tem a finalidade de solucionar os problemas ambientais e de saúde pública causados pelo descarte inadequado de eletrônicos.