O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente
Enviada em 12/11/2021
Segundo o historiador israelense Yuval Harari, dentre as demandas do século XXI, a questão ambiental deverá ser o cerne das discussões políticas. Dessa forma, os impactos de rejeitos eletroeletrônicos mal acondicionados poderão gerar grandes crises ecológicas nos próximos anos. Nesse contexto, percebe-se o surgimento de graves problemas de contornos específicos, em virtude da pressão econômica sobre o meio ambiente e de doenças derivadas dessa condição.
Nesse diapasão, cabe ressaltar que, segundo o sociólogo brasileiro Milton Santos, a pressão financeira sobre o meio social e ambiental é parte intrínseca à moderna matriz produtiva brasileira. Essa matriz industrial carrega consigo conceitos danosos ao meio ambiente, como obsolescência programada e aumento de externalidades negativas. Tais práticas prejudicam tanto o meio social quanto o ambiental. A obsolescência, por exemplo, redunda na acumulação, em lixões e depósitos, de aparelhos eletrônicos que foram prematuramente descartados. Assim como em outras externalidades, esses objetos contaminam o solo, a água e o ar com seus compostos químicos. O que afeta demasiadamente os animais, os recursos hídricos e, inclusive, a sociedade como um todo.
Outrossim, um impacto pouco abordado da “poluição eletrônica” é o dano à saúde pública. Ao passo que metais pesados, ácidos e outros derivados do processo produtivo caem em redes fluviais, contaminam a lavoura e, consequentemente, o ser humano, que é parte integrante desse ecossistema. Consoante a isso, o médico Dráuzio Varela tem empreendido, em vídeos e artigos, uma cruzada contra doenças evitáveis oriundas do descarte inapropriado de rejeitos – inclusive os tecnológicos. No entanto, a inação do poder público favorece ainda mais a atitude de empresas e de usuários irresponsáveis, pois o Estado não os pune de adequadamente quando se desfazem de elementos poluidores sem as devidas precauções. Dessa forma coloca-se em risco a saúde de toda a biosfera – o que inclui a vida humana.
Portanto, o Estado, por meio do Ministério do Meio Ambiente, deve iniciar um programa de fiscalização social sobre indústrias e sobre o próprio governo. Esse projeto deve funcionar com base em atores em rede que fiscalizam o cumprimento de normas sanitárias de acondicionamento e de deposição de rejeitos. Com isso, espera-se mitigar os impactos socioambientais advindos do mal descarte de eletrônicos. Mais precisamente, entre o que se espera de tal proposta, está a melhoria da qualidade de vida, do saneamento básico e do ecossistema que hoje sofre por conta da falta de ação estatal.