O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente

Enviada em 13/11/2021

No filme ‘‘Wall-e’’, da Disney, é apresentado uma sociedade futurista que vive em uma nave espacial em virtude da toxidade da atmosfera terrestre oriunda, sobretudo, do acúmulo de resíduos sólidos. Consoante a isso, existe uma realidade semelhante a do filme na realidade brasileira devido ao descarte errôneo do lixo eletrônico, que cresce exponencialmente. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos importantes: impassibilidade do setor industrial e influência midiática.

A priori, evidencia-se a impassibilidade do setor industrial como agravante no revés. Sob essa ótica, a partir do século XX, as empresas abandonaram o modelo fordista de produção, passando a fabricar itens com um tempo definido de duração, com foco na comercialização de mais mercadorias. Assim, o expressivo quadro de entulho digital deriva da exígua consciência ambiental por parte das indústrias, que ofertam mais que o necessário. Nesse aspecto, é necessário um descarte adequado, todavia, esta tese não se aplica, uma vez que é evidente o acúmulo dos eletrônicos na natureza, refletindo em um ciclo de degradação ambiental. Logo, enquanto não houver uma ressignificação nesse sentido, com a conscientização social e industrial, não será possível alterar a situação vigente.

Ademais, é notória a influência midiática como coadjuvante na questão. Nesse sentido, o sociólogo francês, Pierre Bourdieu, defende que os mecanismos democráticos não devem ser convertidos em ferramentas opressoras. Por esse ângulo, os núcleos midiáticos apresentam à sociedade a ideia de que os aparatos tecnológicos devem ser rapidamente substituídos, sobretudo quando novas versões de aparelhos são amplamente divulgadas. Destarte, isto favorece o ciclo de degradação ambiental, pois os cidadãos acabam consumindo demasiadamente, apenas descartando seus antigos aparelhos nas lixeiras habitacionais, que em demasia é despejada nos lixões, fomentando impactos ambientais. Então, é necessário mudanças súbitas no modelo atual para que haja mudança neste ponto.

Depreende-se, indubitavelmente, a adoção de medidas que venham a reduzir o lixo eletrônico e seus impactos no Brasil. Por conseguinte, cabe ao governo federal, por meio do Poder Legislativo, a alteração nas leis vigentes, criando leis que proíbam a fabricação em massa, limitando-a por número de habitante, e o descarte incorreto. Desse modo, distribuindo processos judiciais e multas exuberantes caso tenha descumprimento por parte das industrias, que não vão querer ter tais entraves associados a seu registro, a fim de que futuramente o tecido civil reduza seu insumo de lixo. Somente assim, a sociedade do filme ‘‘Wall-e’’ poderá ser evitada.