O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente

Enviada em 18/11/2021

O “Mito da caverna”, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Em alusão à citação, percebe-se que a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito aos impactos do lixo eletrônico ao meio ambiente e à saúde pública, visto que menos de 10% dos eletrônicos recebem o destino correto, segundo a coordenadora do Laboratório de Sustentabilidade da USP. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação que possui como causas: a insuficiência de leis e a falta de conhecimento.

Primeiramente, é preciso salientar que a insuficiência legislativa é uma causa latente do problema. Nesse âmbito, a Constituição Federal de 1988 é a lei básica brasileira que busca garantir a integridade dos seres vivos e do ambiente em que estão inseridos. No entanto, essa legislação não tem sido suficiente no que se refere à garantia do direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. De acordo com o Ministério do Meio ambiente, o Brasil conta com apenas 170 pontos de coletas de lixo eletrônico, realidade preocupante que leva ao agravamento da contaminação dos solos e dos lençóis freáticos pelo descarte irregular dos dispositivos tecnológicos.

Em segundo plano, outra causa para a configuração do problema é a falta de conhecimento. Nesse contexto, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Diante disso, se as pessoas não têm acesso às informações necessárias sobre como descartar corretamente o lixo eletrônico, sua visão será limitada. Desse modo, para que o número de resíduos tecnológicos devidamente reciclados aumente, é necessário que haja discussão nas escolas sobre como descartar adequadamente os dispositivos tecnológicos e a importância desse ato para manter o meio ambiente equilibrado e o bem-estar social. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo amplamente aumentaria a chance de atuação nele.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Como solução, é preciso que as escolas, em parcerias com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debates sobre a importância do aumento do número de pontos de coletas de lixo eletrônico para a promoção da sustentabilidade, bem como incentivem a descartar corretamente os dispositivos tecnológicos. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença dos professores e dos convidados especialistas no assunto. Ademais, esses acontecimentos não devem se limitar aos alunos, mas serem abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas a esse panorama preocupante e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de resoluções.