O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente

Enviada em 15/11/2021

O Presidente Jair Bolsonaro assinou um decreto no início de 2021 que estabelece a obrigatoriedade de empresas e lojas de eletroeletrônicos disponibilizarem pontos de coleta para objetos inutilizáveis desse tipo, o que denominou-se logística reversa. Posto que, o descarte e o tratamento adequado desses resíduos é apenas um paleativo, pois não inibe completamente a contaminação do meio ambiente por metais pesados e plástico. Faz-se necessário discutir acerca de dois fatores que desencadeiam a produção desenfreada de produtos: a absolescência planejada e o consumismo.

De início, é importante pontuar que a prática de industrias de planejarem o tempo de duração de mercadorias, para lucrar com a compra ininterrupta por parte dos consumidores, é denominada absolescência planejada. Tal artimanha foi desenvolvida no início do século XX por uma empresa de lâmpadas britânica e conduz o ser humano, a priori, a extração de recurssos da natureza de forma indiscriminada, sem necessidade prática, pois os produtos nos quais esses são usados poderiam durar mais. Posteriormente, devido ao despejo do lixo em locais indevidos, tal ato acarreta o acúmulo de substâncias de difícil degradação e/ou tóxicas para os animais e plantas no ambiente natural. Logo, tal ação  não somente degrada paulativamente o funcionamento da biosfera como prejudica diretamente a sobrevivência dos seres vivos que a compõem.

Ademais, é válido ressaltar que a “gourmetização” do consumo exacerbado, incentivado pela mídia, que vende produtos como verdadeiras personificações da cura para os problemas dos cidadãos está intrinsicamente ligada a gigantesca produção de objetos que dependem da eletricidade para funcionar. Por essa razão tais coisas são descartadas em perfeito estado funcional, pois, não se trata de utilizá-los para facilitar os afazeres do indivíduo e sim da tentativa de parecer alguém digno de valorização para a sociedade. De maneira análoga ao defendido pelo escritor Guy Debord em seu livro Sociedade do Espetáculo, que retrata como as pessoas tendem a atuar constantemente para atender as espectativas alheias. Tal atitude é deveras destrutiva pois as pessoas não somente desenvolvem patologias psíquicas como o planeta terra é tratado como uma ferramenta sendo usado portanto sem restrições.

Em suma, cabe ao Ministério do Meio Ambiente frear a produção de eletrônicos, por meio do envio a Câmera dos Deputados de um projeto de lei que criminalize a absolescência planejada e detalhe as devidas punições para as instituições que criem produtos com “tempo de vida” muito menor que de seus similares. Outrossim, é de responsabilidade do Ministério da Súde incentivar o consumo consciente, através de propagandas veiculadas na Tv. Destarte, os efeitos ambientais causados pelo lixo eletrônico diminuirão  e o art.225 que assegura um meio ambiente ecológico se cumprirá.