O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente

Enviada em 14/11/2021

O documentário “A tragédia do lixo eletrônico”, aponta ao leitor as idiossincrasias do mundo pós-moderno. A partir dessa obra, é notável que países desenvolvidos são os maiores produtores de lixo eletrônico e, parte desse lixo, é descartado nos países subdesenvolvidos, acarretando sérios problemas ambientais. Dessa forma, é possível maior reflexão acerca do padrão de vida atual e sua “pegada ecológica”. Esse padrão, gerador de muito lixo, é devido ao consumismo exarcebado e a obsolescência programada dos equipamentos.

Nessa perspectiva, o alto consumo da sociedade contemporânea é o maior gerador de lixos eletroeletrônicos. A esse respeito, filósofos da Escola de Frankfurt - como Adorno - aborda sobre a “ilusão de liberdade do mundo contemporâneo”, afirmando que as pessoas são controladas por uma “indústria cultural”, disseminada pelos meios de comunicação de massa. Assim, a indústria cultural impõe necessidades que são suprimidas somente por bens de consumo, e controla os indivíduos levando-os a consumir cada vez mais. Evidencia-se, então, que o consumismo sem medidas, grande gerador de lixos eletrônicos, é resultado de uma imposição da indústria cultural.

Ademais, o prazo de validade dos equipamentos, determinados estrategicamente pelas empresas detentoras do processo de produção, é também a causa da troca de equipamentos a curto prazo. Nesse sentido, o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, em sua obra “Sociedade do cansaço”, destaca a insana procura do ser humano pela alta produtividade em qualquer meio, mesmo que retire dele os prazeres e a sanidade física. Sob essa ótica, a partir do final do século XX, as empresas começaram a produzir equipamentos programados para não serem duradouros, mesmo sabendo que seria gerado maior lixo e impactos ambientais, entretanto, garantindo maior lucratividade com a necessidade de troca do produto obsoleto.

Portanto, medidas são necessárias para resolver os problemas discutidos. Diante disso, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, órgão responsável pela Política Nacional de Ciência e Inovação, precisa garantir a produção de produtos com maior durabilidade no mercado. Essa ação será feita por meio de visitas regulares nas empresas detentoras de tecnologia e certificação de qualidade para aquelas que produzirem equipamentos com maior duração no mercado, com objetivo de evitar a obsolescência programada e posterior acumulo de lixo eletrônico. Além dessa medida, o próprio ministério deve promover reflexão sobre o padrão de consumo atual nas mídias sociais, com o objetivo de descontruir as necessidades geradas pela indústria cultural. Mediante a essas ações concretas, a realidade debatida pelo documentário sobre lixo eletrônico, tão somente figurará nas telas de cinemas.