O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente

Enviada em 25/03/2022

O quadro expressionista “O grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude, o medo e a desesperança refletidos no semblante de um personagem envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, observa-se que, na conjuntura brasileira contemporânea, o sentimento de milhares de indivíduos assolados pelo impacto do lixo eletrônico no meio ambiente é semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse sentido, com o intuito de mitigar os males relativos a essa temática é importante analisar o excessivo descarte de produtos, assim como o acúmulo prejudicial de resíduos tóxicos.

Em primeiro lugar, destaca-se a ordenação da fabricação massiva como uma das causas motivadoras dessa contrariedade. Sob esse viés, o sistema industrial fordista surgiu, no século XX, com o objetivo de sistematizar as relações consumistas em uma sociedade voltada para o doutrinamento capitalista. Dessa maneira, o barateamento dos produtos e as constantes propagandas que os definem como mais atualizados e tecnológicos do que suas versões antagônicas, despertam o desejo de posse pelo corpo social, fato responsável por gerar a substituição assídua de mercadorias eletrônicas e o seu crescente abandono incorreto. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Ademais, é imperioso notar que a indiligência do Estado contribui para a ausência de políticas preventivas. Esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes no meio social, entretanto, sem cumprirem a sua função. Assim, devido à baixa operância das autoridades, o processo de bioacumulação de metais oriundos de aparelhos eletrônicos descartados de forma incorreta, passa despercebido por grande parte da população. Nessa perspectiva, para a completa refutação da teoria do estudioso polonês, é imprescindível uma intervenção estatal.

Portanto, é possível concluir que a problemática apresentada deve ser tratada de forma consistente. Dessa forma, o Ministério do Meio Ambiente, órgão responsável pela proteção dos recursos naturais, por meio de recursos governamentais, deve instituir projetos educacionais que visem ampliar o conhecimento social sobre os impactos sofridos pela natureza, a fim de sanar os problemas apresentados. Feito isso, espera-se que a angústia exposta na pintura se delimite ao plano artístico.