O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente

Enviada em 14/11/2021

A Constituição de 1988 estabelece, como direito dos cidadãos, o usufruto do meio ambiente ecologicamente equilibrado, de maneira a contribuir com a preservação da vida e dos recursos naturais. Contudo, a crescente demanada de produtos tecnológicos, estimulados pelo capitalismo, tem resultado na geração exarcerbada de lixo eletrônico, rompendo com o desejado equilíbrio ambiental. Isso decorre tanto do consumo inconsequente, como também da visão limitada dos impactos ambientais advindos dessa prática desarrazoada. Diante disso, urge a adoção de medidas para mitigar esse problema.

Importa destacar, a princípio, que a aquisição desenfreada de bens tecnológicos contribuem frontalmente para o agravamento da problemática. Nesse viés, o indivíduo, para se sentir incluído ou até mesmo prestigiado na sociedade capitalista, passa a consumir produtos eletrônicos compulsoriamente, como garantidor de seu status social, como ocorre, por exemplo, na troca constante de aparelhos celulares, na busca por sempre possuir o modelo mais atual, independentemente das maléficas consequências ambientais oriundas disso. Sob essa ótica, é oportuno mencionar o eminente pensador Paulo Freire, em sua obra “Pedagogia da Autonomia”, ao referenciar a educação como um instrumento de emancipação do sujeito frente aos jogos de poder impostos pelo capital, libertando-o.

Ademais, a incompreensão acerca do consumo excessivo é amplificador da geração de descartados, sobretudo eletrônicos, dada a limitação da destinação adequada destes, o que reforça, contumazmente, o problema em questão. Nesse contexto, o consumidor, alheio aos processos da cadeia produtiva e a correta destinação do lixo tecnológico, não consegue perceber os impactos ambientais gerados por sua conduta descompromissada com o meio ambiente, perpetuando a ação danosa. Nesse sentido, tal comportamento assemelha-se a reflexão trazida pelo filósofo grego Platão em “Mito da Caverna” em que os prisioneiros não conseguiam perceber a realidade, limitando-se, apenas, às sombras projetadas nas paredes, numa lamentável visão reducionista do mundo, de forma a comprometer o corpo social.

Portanto, fazem-se imperiosas diligências para atenuar os impactos causados pelo lixo eletrônico. Posto isso, convêm ao Ministério do Meio Ambiente - órgão responsável pela política ambiental no país- criar um programa de estímulo ao consumo consciente, de modo a informar às pessoas sobre a responsabilidade destas na geração de descartados eletrônicos, bem como as consequências ambientais desses resíduos. Tal ação deve ser realizada por meio de campanhas realizadas nas escolas e em espaços midiáticos, na perspectiva de formar um público de consumidores conscientes. Assim, o emprego dessas medidas contribuirá, energicamente, para consolidar o mandamento constitucional mencionado.