O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente

Enviada em 15/11/2021

No livro “Não verás país nenhum”, escrito pelo brasileiro Ignácio Loyola, é retratado um futuro em que a nação verde-amarela se encontra em pleno caos ambiental, causado pela poluição e acúmulo de lixo. De maneira análoga à obra literária, é possível estabelecer uma conexão à atual realidade brasileira, em que coibir os impactos no meio ambiente causados pelo lixo eletrônico ainda é um complexo desafio. Logo, reconhecer a omissão governamental e as atitudes inadequadas da sociedade como principais empecilhos, é fundamental para a resolução dessa questão.

Em primeiro lugar, é primordial reconhecer que a omissão do governo fomenta essa adversidade. Nesse contexto, Thomas Hobbes, filósofo inglês, defendia que é dever do Estado proporcionar meios que auxiliem o progresso de toda coletividade. Entretanto, essa concepção não se aplica à conjuntura hodierna, uma vez que as autoridades governamentais não realizam medidas eficientes para assegurar a preservação do meio ambiente, como programas de coleta e reciclagem de dispositivos tecnológicos, campanhas de conscientização e leis rigorosas para garantir a sustentabilidade ambiental, especial-

mente para a coleta e descarte específicos desse tipo de entulho. Desse modo, enquanto houver negligência estatal, o problema persistirá.

Além disso, é oportuno comentar que a insciência social em relação ao descarte correto de lixo tecnológico contribui com os impactos negativos à natureza. Consoante Hans Jonas, filósofo alemão, a sociedade deve agir de forma correta para garantir a permanência da vida humana na Terra, sem sacrificar o futuro pelo presente. A ideia do pensador, porém, é refutada por diversas atitudes negligentes por parte da coletividade, sobre tudo o ato de descartar inadequadamente os aparelhos eletrônicos, colocando-os em lixos comuns, o qual gera substâncias tóxicas que contaminam o solo. Ou seja, uma vez que há ações errôneas por parte do grupo civil, o empecilho permanecerá vigente.

Em síntese, é possível verificar os fatores que contribuem para a permanência do obstáculo em pauta. Portanto, faz-se necessário que o Ministério do Meio Ambiente - responsável por promover a proteção e conservação do biossistema - crie campanhas de conscientização, em parceria com a Mídia, sobre o descarte adequado de utensílios eletrônicos para a sociedade em geral, pelos meios de comunicação, a fim de informar sobre a importância da sustentabilidade ambiental e das consequências do descarte impróprio. Dessa forma, “Não verás país nenhum” será somente uma distopia, e não uma analogia a um problema nacional.