O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente

Enviada em 14/11/2021

“Para a ganância, toda a natureza é insuficiente”. Tal afirmação, proferida por Sêneca, antigo filósofo romano, levanta um importante questionamento acerca do impacto ambiental decorrente do descarte de produtos eletrônicos em território nacional. Dentre os fatores que contribuem com esse problema, destaca-se não só a cultura do consumo enraizada em território brasileiro, como também a falta de informações referentes aos procedimentos adequados para o descarte desse tipo de material.

Nessa perspectiva, cabe pontuar que a cultura do consumo exagerado, amplamente difundida no Brasil, contribui de forma direta com o problema em questão. Nesse sentido, práticas como a obsolescência programada, fenômeno em que um produto possui uma predisposição a se tornar obsoleto, são utilizadas não apenas pela industria nacional, como também por multinacionais. De acordo com o G1, uma ação judicial foi movida contra a Apple, empresa norte-americana, onde, de acordo com os seus usuários, recentes atualizações de software reduziram a autonomia da bateria de seus dispositivos. Evidencia-se, portanto, que, adotando esse tipo de prática, as empresas obrigam os consumidores a trocar seus dispositivos frequentemente, contribuindo, assim, para o aumento do lixo eletrônico no meio ambiente.

Ademais, a obsolescência programada encontra terra fértil na falta de conhecimento da população brasileira acerca dos procedimentos necessários para o descarte adequado desse tipo de material. De acordo com o veículo de comunicação Agência Brasil, embora o Brasil figure entre os países que mais produzem “e-lixo”, a maior parte da população nacional não sabe diferenciar o lixo eletrônico dos demais. Assim, infere-se que, pela falta de conhecimento, os brasileiros descartam produtos eletrônicos de forma inadequada, elevando, dessa forma, os impactos ambientais associados com a presença de derivados do silício na natureza.

Portanto, pode-se inferir que o impacto ambiental decorrente do descarte de produtos eletrônicos no Brasil é um tema relevante e que carece de soluções. Assim, cabe ao Ministério do Meio Ambiente, órgão responsável pela proteção e recuperação do meio ambiente, fiscalizar e punir empresas que pratiquem a obsolescência programada, por meio de denúncias anônimas feitas pelos consumidores de seus respectivos produtos. Tal medida tem por objetivo reduzir a necessidade constante de renovação de aparelhos eletrônicos e, consequentemente, a quantidade de “e-lixo” em território nacional. Além disso, cabe as mídias televisivas promoverem campanhas publicitárias que tenham por objetivo educar a população acerca dos procedimentos que devem ser adotados no descarte de derivados do silício. Só assim, a ganância humana descrita por Sêneca não destruirá o nosso meio ambiente.