O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente
Enviada em 15/11/2021
A animação “Wall-E” se passa em um futuro distópico, no qual a humanidade, após poluir a terra com lixo e sucata, precisa viver em uma nave. Apesar de se tratar de uma obra ficcional, a narrativa retrata uma problemática contemporânea: a produção de lixo eletrônico e seus impactos ao meio ambiente. Tal cenário nefasto deriva tanto das práticas de consumismo exacerbado quanto da ineficiência governamental na fiscalização ao destino dos dispositivos eletrônicos.
Primeiramente, vale ressaltar que, desde o advento da Revolução Industrial no século XVIII, a relação do homem com o consumo tem se modificado. Nesse sentido, a lógica capitalista prima pelo planejamento prévio de bens feitos para se tornarem defasados rapidamente, fenômeno conhecido como obsolescência programada. Além disso, a mídia exerce um protagonismo na manutenção a hábitos de consumo desenfreado, ao atrelar o sucesso do cidadão à quantidade de bens que possui, o que se traduz, sob a ótica do escritor Guy Debord, no adensamento da “Sociedade do Espetáculo”, no qual o “ter” ou ainda o “aparentar ter” se sobrepõe a singularidade do “ser” e a sua essência.
Outrossim, ainda que exista na legislação a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), o que se observa, na prática, é a sua não efetivação, uma vez que, segundo levantamento realizado pela Organização das Nações Unidas (ONU), só em 2019, o Brasil produziu mais de 2 milhões de toneladas de lixo eletrônico e somente 3% desse total foi reciclado. Em síntese, a permanência do lixo no meio ambiente também ocorre pela nulidade do Estado em garantir que as empresas que produzem e comercializam os bens eletrônicos, tenham um programa eficiente de gerenciamento de resíduos, de forma a dispor de métodos de coleta dos eletrônicos, como os pontos de entrega voluntária, para facilitar a sua separação do lixo comum e evitar seu descarte indevido, além de contar com um planejamento de tratamentos prévios dos materiais presentes, como plásticos e metais pesados.
Diante do exposto, urge que o governo federal, por meio do Tribunal de Contas da União, direcione capital para o Ministério do Meio Ambiente, que deverá reverter a verba na ampliação da fiscalização das empresas relacionados à produção e a distribuição de eletrônicos, de forma a mitigar os seus efeitos deletérios no biossistema. Para isso, é imprescindível que o Estado atrele as empresas a obrigatoriedade de possuir uma política de logística reversa, assim como um programa de gerenciamento de resíduos, de modo a garantir que os dispositivos tecnológicos voltem aos produtores para que possam ser tratados ou ainda reciclados e reincorporados à cadeia produtiva. Dessa forma, espera-se atenuar a problemática da contaminação por elementos constituintes dos aparelhos, para que cenários catastróficos como o de Wall-E, nunca se tornem realidade.