O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente
Enviada em 15/11/2021
Para Eduardo Galeano, escritor uruguaio, a primeira condição para modificar a realidade consiste em conhecê-la. Dessa maneira, assemelha-se a questão do lixo eletrônico e os impactos ambientais que, apesar de discutida entre os orgãos responsáveis, ainda é tratada com invisibilidade pela população. Nesse contexto, faz-se necessário inteirar-se da situação e, então, debater sobre a negligêncial populacional, bem como sobre o descarte inadequado de equipamentos eletrônicos, a fim de encontrar uma solução plausível à problemática.
Dessa forma, em primeira análise, a indiligência cidadã é um desafio presente no problema. Para Michael Foucalt, sobre o conceito de normalização, a sociedade repete comportamentos sem reflexão crítica da conduta. Na contemporaneidade, analogamente ao pensamento do filósofo, a população normaliza o consumo inconsciente de dispositivos dotados de baterias ou energia elétrica, sem, minimamente, informar-se a respeito da influência desses dispositivos na saúde humana, tampouco a respeito do descarte apropriado e os impactos ao meio ambiente. Desse modo, retrata-se uma significável parcela civil desinformada acerca da discussão ambiental.
Em paralelo, o descarte inadequado dos lixos eletrônicos ainda é um entrave no que tange ao problema. No filme Wall-e, produção da Disney e Pixar, cenas de acúmulo inadequado de aparelhos tecnológicos e elétricos são frequentes e normalizados pela comunidade fictícia. Visto isso, percebe-se que a animação baseia-se na deplorável realidade mundial encontrada em aterros ilegais e terras abandonas, posto que a parcela popular desfaz-se de entulhos eletrônicos nessas dependências sem preocupar-se com a possibilidade de contaminação dos canais de água, como também a população animal. Sendo assim, evidencia-se uma comunidade sem aprofundamento crítico quanto às implicações oriundas de atitudes irresponsáveis.
Em suma, portanto, faz-se necessária a intervenção sobre os entraves. Para isso, agentes do contexto nacional e global, como o Ministério do Meio Ambiente e a Organização das Nações Unidas, respectivamente, devem garantir o descarte adequado do lixo eletrônico, por meio de coletas em locais públicos e acessíveis de cada cidade, a fim de evitar o acúmulo errôneo de lixo em lugares prejudiciais ao meio ambiente. Tal ação pode, ainda, contar com campanhas educativas nas mídias sociais, com o intuito de dizimar o conceito de normalização, exposto por Foucalt, e criar visibilidade à problemática.