O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente

Enviada em 15/11/2021

O filósofo francês Sartre afirma que cabe ao ser humano escolher seu modo de agir, pois ele seria livre e responsável pelo meio em que vive. No entanto, percebe-se que, no Brasil, essa responsabilidade encontra-se deturpada, haja vista a massiva produção e o descarte incorreto do lixo eletrônico, de modo a prejudicar o meio ambiente pelo intenso acúmulo de resíduos tecnológicos, como celulares e eletrodomésticos. Com isso, é pertinente reduzir os impactos desse problema, atuando na insuficiência estatal e na lacuna educacional que fomenta essa situação negligenciada.

Em primeiro plano, a falta de eficiência governamental facilita a banalização dos resíduos eletrônicos. A esse respeito, o escritor Gilberto Dimenstein, na obra “O cidadão de papel”, tece uma crítica a pouca verificação das leis na prática,  de forma que muitas fiquem apenas no papel sem uma atuação do Estado. Nessa lógica, observa-se a inoperância do governo como percursora da negligência presente na questão do lixo tecnológico, a qual não é tratada com a devida importância pelo poder público, camuflando os efeitos negativos dessa realidade, como a contaminação social pela liberação de substâncias tóxicas. Diante disso, essa situação é verificada, seja pela ausência de locais públicos de tratamento e processamento adequado dos sólidos eletrônicos, seja pela carência de incentivo  financeiro governamental de logística reversa das empresas, para que estas realizem o descarte e a reutilização correta. Logo, fica clara a pouca suficiência do governo brasileiro nesse panorama grave.

Além disso, a qualidade distorcida de ensino da população contorna o entrave. Nesse contexto, o filósofo Immanuel Kant defende que o ser humano, ao ser elucidado, sai do estado de menoridade mental e adentra ao de maioridade, ampliando seu senso crítico. Sob essa análise, é evidente que a escola, muitas vezes, limita o pensamento individual, por silenciar a realidade do lixo eletrônico, de forma que muitos estudantes desconheçam essa situação e, consequentemente, as formas de evitá-la. Tal cenário é exemplificado pela escassez de atividades educativas que ensinem como deve ocorrer o descarte do resíduo tecnológico, por exemplo, em palestras e aulas da disciplinade biologia. Assim, levar a informação à  população é indispensável nessa problemática.

Portanto, a fim de reduzir o manuseio incorreto dos resíduos eletrônicos, cabe ao Ministério da Educação promover uma campanha social que sensibilize as pessoas nessa causa, por meio de atividades coletivas, como debates em prefeituras, para instruir a população sobre o descarte e uso correto desse lixo específico. Ademais, essa campanha deve ser intermediada por profissionais da biologia, visto o seu conhecimento técnico na área e a capacidade de facilitar a compreensão popular. Dessa maneira, a ideia de Sartre poderá ser vista na ambientação brasileira.