O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente

Enviada em 15/11/2021

No livro “A sociedade do espetáculo”, o escritor e sociólogo francês Guy Debord evidencia os perigos do capitalismo contemporâneo. O acadêmico argumenta que o consumismo capitalista não é mais movido por necessidade ou conveniência, mas por aparências, isto é, a vontade de projetar uma imagem de si à sociedade por meio da posse de produtos conhecidos, evento esse que fora denominado, “O espetáculo”. Hodiernamente na sociedade brasileira, as ideias do autor citado se tornam cada vez mais aplicáveis, em especial ao setor tecnológico, algo evidenciado não somente pelo lixo que o consumo descuidado gera, porém também pelos seus efeitos no ambiente e população do país.

Antes de tudo, é fato que o consumismo brasileiro de utensílios eletrônicos é, por natureza, irresponsável. Muito como explorado na obra de Debord, indivíduos se sentem compelidos a projetar uma imagem de alto “status” social por meio da compra dos equipamentos desnecessários mais recentes e populares. Tal comportamento é incentivado por empresas privadas em busca de lucro, que utilizam da sua posição social no coletivo pensamento da população, causando compras de produtos, muitas vezes já possuídos em modelos mais antigos pelo povo, algo que gera o descarte das versões desatualizadas de certos objetos, logo, produzindo lixo eletrônico, ato o qual o Brasil se encontra em quinto lugar mundial segundo pesquisa recente da Green Eletron.

Por conseguinte a tal atitude descuidada quanto ao despejo de equipamentos computacionais, em conjunto com a ineficiência estatal em lidar com a situação, são os efeitos extremamente negativos causados ao meio ambiente e bem-estar público. Os danos à saúde pública e ecossistemas brasileiros foram muito bem documentados pelo professor de Engenharia Ambiental Marco Antonio Cismeiro, que alertara em entrevista com a Globo não só dos perigos à fauna e flora, bem como o potencial carcinogênico dos descartes eletrônicos.

Portanto, tendo em mente os danos sendo causados ao Brasil em função da ignorância pública e apatia de organizações privadas, é de exímia importância que o Ministério da Saúde, órgão responsável pela organização de políticas promoventes do bem-estar do povo, crie, por meio de uma colaboração com o Ministério do Meio Ambiente e fundos disponibilizados pelo governo federal, regulamentações quanto ao consumo e descarte de utensílios eletrônicos, visando um futuro mais limpo e consciente ara o país, tal estatuto há de garantir que a troca de dispositivos por seus modelos mais atualizados seja precedida pela venda ou doação da posse atual e não pelo seu despejamento. É dever do Estado, e por extensão do povo, minimizar os efeitos d’O espetáculo no mundo.