O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente

Enviada em 19/11/2021

O pintor norueguês, Edward Munch, em sua obra “O Grito”, ilustrou uma figura espantada diante de algo que lhe traz insegurança. Embora a obra conceba uma metáfora, percebe-se na sociedade brasileira atual, que a reação do personagem pode ser aplicada ao lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente, uma vez que é assombroso que o país não reconheça a seriedade dessa prática. A partir desse contexto, fatores como a falta de políticas públicas e a ausência de investimentos públicos favorecem a existência desse entrave.

Com efeito, tem-se a falta de políticas públicas como causa expressa do revés. Sobre isso, Abraham Lincoln, célebre personalidade política americana, disse, em um de seus discursos, que a política é serva do povo e não o contrário. Em relação a tal afirmação, nota-se uma incongruência sobre o descarte incorreto de resíduos eletrônicos e a atuação do estado brasileiro, uma vez que, ao contrário do que Lincoln explanou, a política atual não serve o povo com ações, como a ampliação de pontos de entrega voluntária de eletroeletrônicos, que poderiam minimizar o problema. Desse modo, fica evidente que a sociedade é escrava dos desmandos estatais.

Ademais, nota-se que a ausência de investimentos públicos é fator coadjuvante do impasse. Sobre isso, segundo dados da Lei Orçamentária Anual do Governo Federal (PLOA), o valor disponível para investimento público para 2021 é de 19 bilhões de reais (diminuição de 13 bilhões em relação ao ano de 2020). Nessa lógica, verifica-se que há uma insuficiência orçamentária para tratar de matérias como as consequências do e-lixo na natureza e, sendo essa uma área essencial da sociedade, não é difícil de prever as graves consequências, como o aumento do risco de câncer e desequilíbrios ambientais, que essa situação trará. Assim sendo, faz-se primordial a reformulação desse cenário.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para combater o aumento de dejetos eletrônicos descartados no meio ambiente. Para tanto, a população, por meio de um projeto social online, deve criar uma campanha de incentivo, que trabalhe paralelamente com ações governamentais, como na questão do lixo eletrônico e seus impactos ambientais. Tal campanha deve ter repercussão nacional e representantes de todos os estados brasileiros, para que se possa cobrar do estado maiores ações, projetos, metas e investimentos públicos voltados para o e-lixo. Espera-se, dessa forma, que a população possa exercer seu protagonismo e trabalhar em parceria com o poder público. Somente assim, a obra “O Grito” deixará de ser uma realidade no país.