O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente
Enviada em 18/11/2021
“Os fatos não deixam de existir só porque são ignorados”. A declaração realizada pelo escritor e filósofo inglês Aldous Huxley, ao ser analisada sob a atual conjuntura do país, nos permite refletir sobre como o lixo eletrônico está sendo negligenciado no tecido social brasileiro, pois está afetando a vida de inúmeros indivíduos. Nesse viés, torna-se necessário analisar as causas desse revés, dentre os quais se destacam a inoperância estatal e a insipiência em relação ao descarte por parte da população.
A Constituição promulgada em 1988, apelidada “Constituição Cidadã”, ampliou os limites tradicionais da democracia brasileira ao estender o direito à saúde para toda a população. Todavia, é importante salientar que tal prerrogativa não está sendo totalmente garantida, tendo em vista que segundo a pesquisa Resíduos Eletrônicos no Brasil (2021) divulgada pela Green Eletron, o Brasil é o quinto maior produtor de lixo eletrônico do mundo. Esse contexto de omissão é causado não só pela ausência de políticas públicas eficientes que visem meios de reutilização desse material, como também, pela falta de investimentos para a separação entre os resíduos comuns e eletrônicos no local de descarte, fazendo com que componentes tóxicos se alojem no meio ambiental, contaminando rios, lençóis freáticos e reservatórios de água, tornando-a impropria para o consumo. Essa conjuntura, de acordo com o filósofo John Locke, se configura como uma quebra do “contrato social”, já que o governo não cumpre a sua função de garantir a proteção e o bem-estar de todos, o que infelizmente é evidente.
Outrossim, é igualmente preciso apontar que o obscurantismo de parte da população é outro fator que intensifica o descarte de lixo eletrônico no meio ambiente. Somado a isso, de acordo com a teoria do “ecomalthusianismo” o crescente aumento demográfico em conjunto com o baixo investimento escolar de países em desenvolvimento como o Brasil, é responsável pela intensificação da destruição da natureza. Isso nos mostra que nem sempre o cidadão brasileiro tem acesso a políticas educacionais que demonstrem de forma conscientizadora a forma correta e os perigos da imperícia do manejo dos componentes, o que contribui, infelizmente, para a disseminação de resíduos em locais inadequados.
Evidencia-se, portanto a necessidade de ações para resolver o impasse. Dessa maneira, o Governo Federal, como instância máxima da administração executiva, deve através do ministério do Meio Ambiente rever as bases destinadas ao setor ambiental, através de políticas de monitoramento, reutilização e a criação de locais apropriados para o despejo do lixo eletrônico. Ademais, criar campanhas nas escolas, redes sociais, e televisão que detalhem práticas sustentáveis e advirtam dos perigos relacionados a resíduos tecnológicos. Feito isso, espera-se que os fatos que atualmente são ignorados sejam totalmente superados, tornando o Brasil um país mais ecológico e seguro.