O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente

Enviada em 17/11/2021

O livro “A Cidade do Sol”, de Tommaso Campanella, retrata uma sociedade ideal, na qual os cidadãos utilizavam da razão para governar suas vidas e eram regidos por um Estado perfeito. No entanto, o que se observa na contemporaneidade é o oposto do que o autor prega, uma vez que os impactos no meio ambiente causados pelo lixo eletrônico representam barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de Campanella. A partir dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise da negligência estatal e do sistema capitalista, fatores que favorecem esse panorama.

Seguindo esse contexto, convém ressaltar, a princípio, a negligência governamental. A exemplo disso, segundo o site Parnashop, o Brasil é o 6º país que mais produz e-lixo no mundo, que são eletrônicos antigos ou sem utilidade. Desse modo, tem-se a facilitação do descarte incorreto desses materiais, uma vez que, quando produzidos em grandes quantidades, tornam-se de difícil controle. Essa conjuntura, segundo o filósofo Émile Durkheim, configura-se como um fato social patológico, uma vez que a geração excessiva desse tipo de material impacta, de modo nocivo, o pleno desenvolvimento da sociedade, contaminando solos e rios com plásticos e metais pesados. Esses aspectos, infelizmente, são notórios no país.

Ademais, a busca desenfreada pelo lucro, característica do sistema capitalista, atua como impulsionadora desse quadro adverso. Nesse viés, de acordo com o pensamento marxiano, “Privilegiar o bem pessoal em detrimento do coletivo proporciona inúmeros malefícios à sociedade”. A partir disso, pode-se concluir que as empresas que produzem os itens abordados, ao utilizarem a obsolescência programada como estratégia de negócio e ao serem indiferentes quanto ao uso de metais pesados, que se acumulam nos seres vivos (bioacumulativos), contribuem para a persistência dessa problemática. Logo, é inadmissível que essa realidade continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de combater esses percalços. Para isso, por meio de parcerias público-privadas, o Executivo deve incentivar fabricantes de produtos eletrônicos a realizarem a coleta gratuita de e-lixos em suas lojas e a divulgar essa disponibilidade aos seus consumidores, a fim de permitir a destinação correta desse tipo de lixo a partir de sua fonte direta. Isso deve reduzir, a longo prazo, os danos ambientais causados pela obsolescência programada e pelo consumismo, tendo em vista que as empresas estarão engajadas a destinar correta e racionalmente o lixo eletrônico.