O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente
Enviada em 17/11/2021
No século XIX, o período da Primeira Revolução Industrial inaugurou os primeiros avanços científicos da Era Contemporânea, apresentando a alquimia e os princípios da eletricidade. Tal fenômeno, entretanto, dividia opiniões entre personalidades marcantes: Dom Pedro II era um entusiasta das novas tecnologias, enquanto Mary Shelley, autora de “Frankenstein”, discutia as consequências do avanço científico. No século XXI, tal avanço provou-se nocivo por meio do lixo eletrônico, na qual o descarte incorreto de objetos eletrônicos tem impactado negativamente o meio ambiente, provocando doenças em humanos e animais. Nesse sentido, um dos cernes de tal problemática reside na carência de informações por parte da população, que muitas vezes desconhece os efeitos de objetos digitais na natureza, além de não possuir acesso a pontos de descarte desses aparelhos. No Brasil no final do século XX, com a ampla utilização de pilhas para controles televisivos, iniciou-se uma campanha para conscientizar a sociedade brasileira sobre a necessidade de descartá-las em lixos especiais, localizados majoritariamente em bancos. Na atualidade, o aumento do consumo de objetos tecnológicos têm crescido exponencialmente, contudo, não se pode observar o mesmo cenário na criação de postos de coleta desses materiais ou na divulgação dos efeitos da decomposição de baterias de celulares em aterros sanitários e lixões, responsável por liberar metais pesados para o ambiente. Nesse sentido, a falta de informação sobre tal descarte, ausente até nas caixas de dispositivos eletrônicos, aliada à carência de pontos de coleta em locais diversos, perpetua a alteração irreversível de cadeias alimentares pela bioacumulação de metais de baterias em tecidos gordurosos. Ademais, a criação de uma sociedade de consumo alienada potencializa a probabilidade de poluição por descarte irregular de dispositivos digitais. Na contemporaneidade, criou-se uma obsessão por adquirir aparelhos eletrônicos de última geração devido a propagandas de “influenciadores digitais”. Exemplo disso é a assistente virtual “Alexa” desenvolvida pela Amazon: sua função resume-se a realizar, por comando de voz, atividades triviais que poderiam facilmente ser executadas pelo usuário, como acender a luz do quarto. Contudo, o objeto tornou-se um campeão de vendas da empresa devido às propagandas realizadas por influenciadores patrocinados. Sob essa perspectiva, o consumismo em relação a aparelhos eletrônicos torna o Brasil um dos maiores produtores de lixo eletrônico mundial, visto que sua população é facilmente manipulável por propagandas digitais. Em suma, o descarte irregular do lixo eletrônico no Brasil é perpetuado pela falta de informação e potencializado pela alienação. Desse modo, para mitigar tal problemática, torna-se necessário que o Ministério da Educação crie campanhas midiáticas de divulgação sobre os efeitos da decomposição dos eletrônicos no meio ambiente e a forma correta de descartá-los, ressaltando seus possíveis reflexos na saúde humana e a necessidade de reduzir a compra de objetos digitais supérfluos, com o objetivo de diminuir os efeitos da manipulação propagandística e ampliar o acesso à informação sobre o descarte de eletrônicos. Assim, o avanço científico, tão aclamado pelo último imperador, poderá tornar-se menos nocivo ao planeta Terra.