O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente

Enviada em 19/11/2021

Segundo Durkheim, a sociedade opera como um organismo. Seguindo esse raciocínio, é preciso que haja coesão e equilíbrio entre os elementos sociais para que não ocorra nenhum colapso. No entanto, a falta de consciência ambiental e o descarte indiscriminado de lixo eletrônico são fatores disruptivos dessa harmonia, ao passo que degradam o meio ambiente e oferecem riscos à vida.

Inicialmente, vale destacar que o lixo eletrônico é composto por substâncias tóxicas, como o mercúrio e o chumbo, além de não ser biodegradável. Dessa forma, sem a decomposição da matéria, suas toxinas são absorvidas pelos animais que, quando inseridos em uma cadeia alimentar, provocam a magnificação trófica, afetando também os seres humanos, visto que são os últimos consumidores de todas as cadeias. Como resultado, é provável a ocorrência de mortes a curto prazo, pois nenhum animal contém enzimas digestivas para tais toxinas. Por outro lado, a longo prazo, uma consequência plausível é o aumento do número de vítimas de câncer, já que essas substâncias químicas são incompatíveis com qualquer organismo animal.

Ademais, quando o lixo eletrônico possui como destino final os lixões, o lençol freático é contaminado, ou seja, a água doce se torna altamente tóxica e imprópria. Nesse sentido, observa-se que o descuido e a falta de planejamento de descarte, ora resultados da falta da consciência ambiental e da coleta seletiva, causam impactos imensuráveis ao ecossistema. Somado a isso, o consumismo irracional, junto à obsolescência programada, impulsionam a formação do lixo, haja vista a notória curta vida útil de eletrônicos e o incentivo à compra regular de novos equipamentos. Logo, é possível afirmar que cria-se  um ciclo vicioso de descarte-compra-descarte, o qual é o responsável por classificar o Brasil como um dos países que mais produzem e-lixo no mundo, conforme aponta pesquisa do Paranashop.

Portanto, medidas devem ser tormadas para superar o impasse. Primeiramente, urge que os prefeitos criem um sistema de coleta seletiva poro meio da distribuição gratuita de lixeiras e atribuição de descontos de 5% na conta de luz para quem realizar a coleta regularmente. Assim, a coleta seletiva seria incentivada, viabilizada e se aumentaria a consciência ambiental. Dessa forma, os impactos do lixo eletrônico seriam reduzidos. Outrossim, o Ministério da Economia deve realizar pesquisar para descobrir quais empresas fornecem produtos com maior durabilidade para favorecer a marca mais ecológica, o que seria efetuado mediante a redução do imposto da venda em 15%. Desse modo, as empresas visariam medidas mais sustentáveis para conseguir vender e lucrar mais.  Como efeito, a produção de lixo seria diminuída, uma vez que não haveria a necessidade de reposições constantes. Feito isso, a harmonia de Durkheim estaria mais próxima de ser alcançada.