O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente

Enviada em 18/11/2021

Na produção cinematográfica “Wall-e” é retratado um futuro distópico do planeta, na qual o lixo dominou as cidades e, por conseguinte, tornou o mundo inabitável. Fora da ficção, a problemática dos resíduos eletrônicos produzidos pelos seres humanos é uma das grandes preocupações atuais que, assim como no filme, provocam graves impactos ambientais - como a contaminação de solos e rios. Tal situação nefasta é fomentada pelo consumismo exacerbado e sustentada pela alienação dos indivíduos. Logo, visto a importância do tema, faz-se necessário o seu debate a fim de mitigar suas consequências.

Destarte, cabe a reflexão sobre a relação da enorme quantidade de lixo eletrônico com a mentalidade de consumo na sociedade. Sob essa ótica, o sociólogo polonês Zymunt Bauman afirma que na modernidade líquida o ato de consumir é central nas relações pessoais, ou seja, a identidade dos indivíduos é definida pelo o que se adquire. Nesse âmbito, a indústria de eletrônicos se utiliza desse comportamento para promover cada vez mais novos produtos, em um ciclo de descarte sem precedentes - promovendo a obsolescência programada. Desse modo, as quantidades de lixo que são deixados todos os anos no meio ambiente impulsionam a degradação da natureza.

Ademais, é válido citar como a alienação sobre o destino do imenso contigente de lixo supracitado é determinante para a perpetuação da temática. Nesse sentido, pode-se trazer uma perspectiva histórica, na qual após a Revolução Industrial, com o advento da mecanização da produção e o decaimento de práticas artesanais, a humanidade passou a desconhecer os processos de fabricação e destino de produtos. Dessa maneira, hodiernamente, pouco se discute sobre o que ocorre com os eletrônicos e os riscos que o descarte inadequado geram, como, por exemplo, a bioacumulação nas cadeias alimentares com os metais pesados. Com isso, é evidente como a falta de conhecimentos impede a resolução conjunta do problema.

Portanto, cabe ao Ministério da Educação, que garante os direitos individuais, promover campanhas de conscientização, por meio da parceria com escolas e a mídia, a fim de educar a população sobre maneiras de descarte correto e consumo controlado. Essas medidas podem ser realizadas com palestras e propagandas publicitárias em veículos de grande circulação. Somente assim, o destino exposto em “Wall-e” poderá ser evitado.