O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente

Enviada em 18/11/2021

A tecnologia trouxe diversos benefícios a humanidade. No entanto, o consumo exacerbado de seus produtos, em razão da sua durabilidade deficiente, traz consequências negativas para o meio social. Dessa forma, é necessária a discussão do lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente. Esse cenário antagônico é fruto tanto da instigação midiática, quanto da falta de políticas de reaproveitamento desses materiais.

Frente a esse panorama, o sociólogo Zygmunt Bauman em sua teoria “Modernidade Líquida”, relata como o consumo abundante é a marca do sucesso e a estrada que conduz diretamente a construção de identidade do homem na pós-modernidade, descrevendo de forma clara essa problemática. Nessa óptica, é válido apontar a influência, significativa, da indústria digital nessa conjuntura, dado que ela, por meio de propagandas, promove um sentimento de insaciabilidade na sociedade, que, consequentemente, gera o acumulo desses materiais. Por serem tóxicos, a exposição prolongada ao lixo eletrônico pode afetar o desenvolvimento do feto de gestantes, e aumentar o risco de algumas doenças crônicas tardias.

Ademais, a ineficiência governamental no que concerne à criação de políticas de reutilização dos descartes eletrônicos corrobora o agravamento da situação, visto que seus componentes químicos são prejudiciais ao meio ambiente. Conforme uma matéria publicada pelo jornal Folha de São Paulo, 58% da população brasileira nunca ouviu falar em pontos ou locais de descarte correto para lixo eletrônico. Essa estatística revela a ausência de meios oferecidos à população, que, como efeito, acabam fazendo o despojo irregular. Logo, é evidente a falta de ingerência das instituições públicas no combate dessa realidade, tornando-se urgente a mudança dessa realidade.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o governo federal, junto às prefeituras, crie pontos de coleta de materiais eletrônicos em locais estratégicos nas cidades, com um sistema de reaproveitamento, a fim de impedir sua exposição à sociedade, e a bioacumulação de compostos químicos. Somente assim, é possível intervir o progresso do problema.