O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente
Enviada em 18/11/2021
‘‘É triste pensar que a natureza fale e o gênero humano não a ouve’’, frase dita por Victor Hugo, poeta francês, entra em acordo com a contemporaneidade brasileira, visto que exige um aumento exacerbado de lixo eletrônico no meio ambiente, causando impactos negativos. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos importantes: negligência governamental e influência midiática.
A priori, evidencia-se a omissão do governo como agravante no revés. Sob essa lógica, o filósofo inglês, Thomas Hobbes, defendia que é dever do Estado promover meios que auxiliem o progresso comum. Tal concepção, todavia, não se aplica à conjuntura hodierna, uma vez que as autoridades governamentais não agem para criar ações que resolveriam a conjuntura do lixo eletrônico, como o incentivo a reutilização dos aparelhos tecnológicos, atitude a qual diminuiria consideravelmente o entulho digital no país. Logo, não é justo que a máquina pública protagonize - com sua omissão de dever - a manifestação desse problema ambiental no Brasil.
Ademais, é notória a influência midiática como coadjuvante na questão sob a perspectiva de Pierre Bourdieu. Para o sociólogo francês, os mecanismos democráticos não devem ser convertidos em ferramentas opressoras. Observa-se, todavia, que os meios de comunicação, a exemplo das redes sociais, revelam uma face opressora ao privilegiar propagandas que estimulam a troca compulsória de aparatos tecnológicos em detrimento de ações que promovam a conscientização ambiental. Por conseguinte, parte expressiva dos usuários dessas redes tende a despejar objetos computacionais na natureza. Logo, é necessário que a mídia faça valer todo o seu poder influenciador com vistas à edificação dos sujeitos quanto a questão do lixo eletrônico e seus impactos ambientais.
Depreende-se, a adoção de medidas que venham a reduzir o lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente. Por consequência, cabe ao governo federal, implementar campanhas nacionais publicitárias sobre o incentivo ao descarte correto e a utilização do produto por completo, sem trocas desnecessárias, por meio dos tributos arrecadados nos cofres públicos. Outrossim, simultaneamente, passar essas campanhas nas mídias digitais, aproveitando seu engaje social para mobilizar o tecido civil, a fim de que crie uma conscientização em massa sobre a importância da preservação e das consequências do descarte incorreto. Somente assim, a tristeza de Victor Hugo será amenizada, quando a natureza falar e o gênero humano ouvir.