O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente
Enviada em 19/11/2021
Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma comunidade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e adversidades. Todavia, percebe-se que na atual sociedade os impactos causado pelo lixo eletrônico no meio ambiente faz com que o ideal defendido por More não seja eficaz. Com efeito, há de se analisar a falha estatal e a má influência midiática como impulsionadores desse revés.
Diante disso, cabe destacar a ineficiência do poder público presente na questão. Nesse viés, de acordo com o jornalista Gilberto Dimenstein, em seu livro “Cidadão de Papel”, o Brasil é marcado pela não aplicação prática dos mecanismos legais, como uma educação de qualidade. Essa lógica é comprovada pelo papel passivo que o Estado exerce ao não fornecer o ensino ambiental no meio escolar, haja vista que a temática do lixo eletrônico é envolvida por uma ignorância coletiva sobre o assunto. Isso porque, no atual sistema educacional não há, exclusivamente, um estudo voltado a essa didática, o que viabilizaria o pensamento socioambiental do aluno. Consequentemente, isso faz com que parte da sociedade desconheça os impactos gerados pela má gestão do E-lixo: prejuízos à saúde pública devido aos metais pesados presentes nos aparelhos eletrônicos e contaminação do solo.
Ademais, conforme Pierre Bourdieu o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismos de opressão. Contudo, nota-se que a mídia adota um comportamento opressor, pois, ao invés de promover debates que elevem o nível de conscientização da população acerca do tema acaba tornando-se uma má influência, já que em redes sociais e programas de Tv há uma constante persuasão afim de incentivar o sujeito a adquirir determinado eletrônico como meio de obter status social. Assim, esse tipo de consumo faz com que haja maior quantidade de aparelhos sendo jogados em locais inapropriados - mares e lixões a céu aberto -, o que pode gerar a morte da vida marinha degradando todo um ecossistema.
Portanto, o Ministério da Educação - como instância máxima dos aspectos educacionais no país - deve criar projetos pedagógicos, como palestras e ações comunitárias, por meio de professores e ambientalistas capazes de fomentar o aprendizado do tema. Inclusive, essa iniciativa deve ser divulgada no espaço virtual - Instagram e You Tube - com o fito de ampliar ainda mais esse conhecimento. Logo, isso poderá sanar a falha estatal e a postura negativa da mídia e, desse modo, fazer jus à sociedade citada por Thomas More.