O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente

Enviada em 19/11/2021

No filme Wall-E, é retratado uma sociedade distópica pautada no descaso humano para com o meio ambiente. Tal cenário assemelha-se à realidade contemporânea tendo em vista que, com o advento da Terceira Revolução Indústrial, a evolução da tecnologia levou o indivíduo a consumir alienadamente de forma que seu impulso ontológico seja configurado conforme a manipulação midíatica que faz o consumo ser supervalorizado e o descarte adequado negligenciado. Nesse sentido, numa sociedade baseada em aparências, onde ter o eletrônico mais recente é sinônimo de status, o despejo indevido de lixo eletrônico tornou-se uma mazela intrínseca ao consumo sendo este decorrência da influência da mídia e da regressão à maioridade do indivíduo.

Em primeiro plano, vale salientar a lógica do “para-si” que rege o capitalismo. Para os estudiosos da escola de Frankfurt, Theodor Adorno e Max Horkheimer, essa ideologia é imposta sobretudo pelos meios de comunicação enquanto mecanismos de controle do comportamento da massa. Assim, quando é feito o paralelo entre a população e a coerção dos veículos de informação, em suma, é tutelado que os interesses nas ações de tais veículos são de divulgar os produtos das empresas em questão, e não necessariamente isso é algo ético. Consoante ao modelo econômico vigente, as empresas buscam lucro, e a maneira delas de obtê-lo é estimulando o consumo e fabricando produtos obsoletos, forçando o indivíduo a adquirir mas não o informando o que fazer com o antigo eletrônico e como descartar adequadamente, sendo responsáveis não só pela negligência da corporação mas da de terceiros também para com a contaminação do meio ambiente, haja vista as substâncias quimicas liberadas que acabam por poluir os lençóis freáticos.

Outrossim, quando o indivíduo cede às pressões sociais ele automaticamente regride à condição que lhe foi atribuída. Para Kant, o objetivo do ser humano é sair da menoridade, condição em que o homem terceiriza seu julgamento, e caminhar para a maioridade, condição na qual o homem é dono de suas próprias ideias. Em um mundo cujos valores são supérfluos, o indivíduo assume responsabilidade ao decidir se acata ou não a realidade de aparências. Esta é mantida pela ilusória sensação de que quanto mais recente seu eletrônico for, melhor socialmente a pessoa é encaixada, quando, com efeito, somente ressalta a falta de alteridade com o meio ambiente e a inversão de valores.

Assim, é denotado a necessidade de medidas que visem a manutenção correta do lixo eletrônico. É mister que a mídia elucide a população quanto a responsabilidade individual com o meio ambiente ao reiterar o quanto o consumo desenfreado fere a natureza, os estimulando a agirem conscientemente a fim de que o acúmulo desse bem seja diminuido e seu descarte feito em estações próprias para isso.