O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente
Enviada em 30/11/2021
Na série “The 100” da Netflix, é exposta a necessidade dos habitantes da terra de se refugiarem no espaço, após as ações humanas tornarem o planeta inabitável. Embora seja uma série de ficção, essa narrativa serve como representação simbólica da realidade atual brasileira, expondo os impactos socioambientais causados pelo acúmulo de lixo eletrônico no meio ambiente. É necessário, pois, uma análise quanto a mentalidade capitalista e a omissão governamental nessa questão.
Sob essa análise, é essencial analisar a influência do capitalismo nesse contexto. Nessa perspectiva, Karl Marx, filósofo alemão, afirma que o sistema capitalista visa o lucro e ignora os efeitos negativos causados por essa busca excessiva pelo capital. Assim, o modelo econômico atual, que prioriza ganhos financeiros, utiliza os meios midiáticos para incentivar o consumo dos mais variados aparelhos eletrônicos, principalmente daqueles considerados de “última geração”, para, então, despertar na população a necessidade de adquirir os dispositivos para se manter atualizado nos lançamentos do mercado. Nesse sentido, não é observado a preocupação para o destino desses milhares de modelos ``ultrapassados´´ que seram subtituídos por modelos mais novos.
Além disso, percebe-se como o governo se distancia do seu papel como auxiliador da população e protetor ambiental, visto que despreza o tema em questão. Isso acontece porque as esferas de poder, especificamente o Ministério do Meio Ambiente (MMA), tem pouca participação no combate ao descarte incorreto do lixo eletrônico no país, já que são escassos os locais adequados para o despejo desses aparelhos, como, por exemplo, centros de reciclagem, que tem a importante função de reutilizar esses materiais.
Evidencia-se, portanto, a necessidade de ações interventivas para minimizar o descarte inadequado de lixo e seus impactos socioambientais. Para isso, cabe ao setor privado, especialmente as empresas responsáveis pela produção de aparelhos eletrônicos, realizar não só a propagação de comerciais que ilustrem os malefícios dos restos eletrônicos, como também executar a Logística Reversa – prática que reaproveita os resíduos dos dispositivos e os encaminha para seu correto depósito-. Isso deverá ser feito por meio de um contrato de responsabilidade que deverá ser assinado pelo consumidor no ato da compra do produto, que será encarregado de devolver o item ao fabricante após o término de sua vida útil, com a finalidade de reciclar o lixo eletrônico e diminuir os impactos socioambientais causados por eles. Feito isso, o Brasil poderá, gradativamente, mudar o quadro exposto na série distópica.