O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente
Enviada em 30/11/2021
A animação “Wall-E” destaca-se ao definir os impactos ambientais gerados pela produção em massa de lixo. Para tanto, o filme retratou uma distopia em que o planeta Terra se tornou inabitável em razão das ações antrópicas, a humanidade foi obrigada a deixar-lo. Nesse cenário, o personagem principal, um robô responsável por separar o lixo remanescente, guia a história de modo saliente a importância do cuidado com o ambiente. Embora se trate de um contexto fictício, a obra se relaciona, de forma análoga à realidade atual, em que o descarte indevido de lixo eletrônico tem impactado fortemente diversos biomas. Isso se dá, em parte, devido à negligência governamental e às tendências comportamentais da população.
Em primeiro plano, evidencia-se a falta de fiscalização por parte das entidades públicas quanto ao cumprimento das leis ambientais vigentes. Segundo o jornalista Gilberto Dimenstein, o brasileiro, como cidadão, tem os direitos garantidos apenas na teoria. Dessarte, a contaminação por lixo eletrônico é uma realidade alarmante. Nesse sentido, a complacência do poder público quanto ao descarte ilegal feito por empresas privadas, somada ao atraso na construção de aterros sanitários nos municípios, expõe os brasileiros, principalmente os mais pobres, a substâncias danosas.
Outrossim, é imperativo pontuar os impactos do consumismo na produção massiva de lixo eletrônico. De acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, os requisitos contemporâneos ávidos por alcançar uma fonte de satisfação permanente, tendem a herdar comportamento consumistas. Dessa forma, acompanham essa demanda de consumo, as industrias exacerbadamente os produtos com uma baixa durabilidade. Esse processo, atrelado à deficiência educacional da população no que tange à reciclagem e ao descarte correto de dejetos, gera o acúmulo de diferentes contaminantes em lixões inadequados. Como consequência, tem-se um agregado de solos e de corpos d’água nas áreas de despojo.
Diante do exposto, urge que a Secretaria do Meio Ambiente, em um amplo debate com os municípios, crie um plano de ação focado na adequação do descarte de lixo industrial. Esse projeto deve ser consumado por meio da designação legislativa de uma porcentagem de resíduos que devem ser obrigatoriamente reciclados pelas empresas. Essa quantidade será relativa de acordo com os materiais obtidos e o capital financeiro de cada ramo industrial. Além disso, haveria a destinação de verba para a construção de aterros sanitários por parte das prefeituras. Tais ações têm a redução dos impactos socioambientais dos lixos eletrônicos. Assim, a realidade retratada em “Wall-E” tornar-se-á mais distante.