O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente
Enviada em 20/12/2021
Na obra “Ensaio sobre a cegueira”, o escritor José Saramago expõe o fenômeno da cegueira moral, na qual a sociedade se aliena frente às diversas realidades sociais. Fora da ficção, esse fenômeno nefasto é evidenciado no descaso com o lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente, sobretudo, no Brasil. Esse cenário ocorre não só em razão da não aplicação dos direitos civis, como também devido a insuficiente formação educacional da nação. Desta forma, faz-se mister a análise da conjuntura de modo a mitigar a problemática.
Primordialmente, é imperativo destacar a forma como parte do Estado brasileiro costuma lidar com a preservação ambiental. Isso porque, conforme afirmou o jornalista Gilberto Dimenstein em sua obra “Cidadão de papel”, a legislação brasileira é ineficaz, visto que, embora aparente ser completa na teoria, muitas vezes não se concretiza na prática. Prova disso é a escassez de políticas públicas satisfatórias voltadas à aplicação do artigo 225 da “Constituição cidadã”, que garante entre tantos direitos, o equilíbrio do meio ambiente. Tal direito é deturpado quando observado a pequena campanha de conscientização acerca da necessidade do descarte correto do lixo eletrônico que, acaba sendo despejado no lixo comum, contaminando diversos ecossistemas. Assim, infere-se que nem mesmo o princípio jurídico foi capaz de combater os impactos do lixo eletrônico.
Outrossim, é igualmente preciso destacar a educação, nos moldes predominantes do Brasil, como outro fator que contribue na manuntenção do imbróglio. Para tanto, é justo relembrar a obra “Pedagogia da autonomia”, do patrono da educação brasileira Paulo Freire, na medida em que ela destaca a importância das escolas em fomentar não só o ensino técnico-científico, mas também habilidades socio-emocionais, como respeito e empatia. Sob essa ótica, pode-se afirmar que a maioria das instituições de ensino brasileiras, uma vez que são conteudistas, não contribuem na percepção empática com o meio ambiente e, portanto, não formam estudantes da maneira que Freire idealizou.
Destarte, urge a intervenção do Estado na resolução do impasse. Portanto, cabe ao Ministério da Educação -ramo do Estado responsável pela formação civil- inserir, nas escolas, a matéria de “Cidadania”, por meio da proposta de alteração da Lei de Diretrizes e Bases da Educação -que compete a aprovação do poder Legislativo- a fim de levantar o debate sobre os impactos do lixo eletrônico no meio ambiente e também conscientizar sobre os direitos e deveres de cada cidadão. Quicá, assim, tornar-se-á possível a formação de uma sociedade permeada pela efetivação dos valores elencados na Magna Carta e sem os males da cegueira moral.