O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente

Enviada em 27/01/2022

Segundo o célebre sóciólogo Zygmunt Bauman, não são as crises que mudam o mundo, e sim a nossa reação a elas. Essa máxima do ilustre escritor polonês pode ser associada à difícil realidade brasileira no que tange à poluição do meio ambiente, pois depreende-se, a partir dela, a possibilidade de, utilizando métodos eficazes, superar os desafios que impedem a consolidação do descarte correto do lixo eletrônico. Nesse âmbito, faz-se necessário refletir sobre o impasse e analisar como a má gestão de resíduos e a falta de informação de parcela da população corroboram a conjuntura atual.

Sob essa perspectiva, convém enfatizar, antes de tudo, a carência de pontos de coleta destinados ao recolhimento de produtos eletrônicos descartados como uma forte influenciadora do revés. A Constituição Federal de 1988, documento situado no topo do ordenamento jurídico do país, assegura o acesso ao meio ambiente como um direito de todos e dever do Estado. Entretanto, é notório que esse direito se resume apenas à teoria, uma vez que a escassez de políticas públicas direcionadas à coleta desse tipo de lixo contribui com a poluição do ecossistema, além de impactar negativamente na saúde das pessoas. Nesse sentido, é ilógico pensar que em um país que se consagra desenvolvido, o descarte dos bens de consumo seja feito de forma tão arcaica.

Além disso, vale ressaltar o desconhecimento de parcela da população sobre como descartar os equipamentos eletrônicos como mais um fator que agrava a problemática. A esse respeito, Karl Marx, sociólogo crítico do capitalismo, defendia que o sistema capitalista só visa ao lucro e ignora os efeitos nocivos do consumo desenfreado. Nesse viés, a população inserida no sistema capitalista, como a brasileira, está mais preocupada em consumir do que pensar no descarte. Somando esse fator à falta de instrução, a coletividade acaba descartando o lixo de forma impensada e incorreta, o que contribui para a dispersão de metais pesados no solo e a contaminação do lençol freático.

Verifica-se, portanto, que a ingerência estatal e a falta de informação e conscientização são fatores que perpetuam o entrave e precisam ser repensados. Nesse fundamento, cabe ao Ministério do Meio Ambiente, responsável pelas políticas nacionais de estratégias de conhecimento, proteção e recuperação ambiental,  criar pontos de descarte próprios para os diferentes tipos de lixo, inclusive o eletrônico, com o fito de regulamentar e direcionar o descarte e tratamento adequado do lixo, impedindo, assim, a contaminação do solo e da água. Ademais, também é dever do Ministério do Meio Ambiente, em parceria com o Ministério da Educação, criar campanhas educativas nas escolas voltadas à separação do lixo e seu descarte adequado, com a finalidade de criar uma geração mais consciente e engajada com o problema. Feito isso, o Brasil dará um grande passo rumo ao desenvolvimento.