O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente

Enviada em 23/08/2022

No filme “O menino que descobriu o vento”, é retratada uma realidade na qual, motivado pela carência de água, um jovem africano cria, com lixo eletrônico, uma forma de turbina eólica, a fim de gerar eletricidade. A partir disso, ele usa tal energia em uma bomba, que extrai a quantidade de água necessária. Fora da ficção, embora ocorra o reaproveitamento do lixo eletrônico, ainda é muito reduzido em relação à intensa produção tecnológica, o que cria uma desproporcionalidade. Dessa forma, devem-se analisar as causas e as consequências do lixo eletrônico, bem como seus impactos no meio ambiente.

Em primeira análise, nota-se que a tecnologia aplicada aos novos produtos é programada, por intenção, a se tornar obsoleta. Nesse sentido, tal problemática se originou na implantação do sistema Toyotista de produção, o qual presa pelo just-time (produzir pela demanda) e pela diminuição da vida útil dos produtos. Com essa lógica, a população busca sempre o modelo mais inusitado e recente, na medida em que uma nova versão surge. Essa relação é notada, por exemplo, no livro “Lixo eletrônico”, em que, segundo o autor, “a tecnologia traz novos equipamentos e necessidades, havendo obsolescência de aparelhos”. Destarte, conquanto as empresas mantiverem tal lógica, a problemática do e-lixo continuará.

Consequentemente, criam-se variados efeitos na natureza quando o lixo eletrônico - e-waste - é colocado em segundo plano. Nessa linha, segundo dados da ONU - Organização das Nações Unidas -, registraram-se 53,6 milhões de toneladas de e-waste em 2020. Evidentemente, tal exorbitante quantia retrata a prática moderna, de modo que a natureza sempre jaz fora das intenções das empresas. Porém, uma vez no solo, o e-lixo tende, por exemplo, a liberar metais pesados e bioacumular em lençois freáticos. Dessarte, fazem-se necessárias medidas.

Portanto, o Ministério da Economia - órgão regulador das práticas econômicas nacionais - deve criar um programa que, sob ótica de proteção natural e reaproveitamento do lixo gerado, garanta às empresas uma quantia em dinheiro suficiente para suprir o gasto pelo processo de reaproveitar. Além disso, o Ministério da Cidadania deve criar campanhas a fim de reduzir a produção do e-lixo. Assim, pode-se acabar com a relação desproporcional “lixo-tecnologia”.