O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente
Enviada em 09/09/2022
Desde o século XX, com o advento do modelo capitalista, o desenvolvimento industrial e tecnológico se intensificou, e com ele os problemas ambientais. Esse capitalismo hodierno introduziu a “cultura do descartável”, caracterizada pela rápida obsolescência dos equipamentos eletrônicos, ocasionando, desse modo, um aumento significativo de lixo eletrônico, sobretudo no Brasil. Isso se deve a displicência estatal e a falha escolar, no intuito de mitigar os efeitos advindos desses resíduos no meio ambiente.
Com efeito, convém salientar a omissão governamental diante desse entrave socioambiental. Nesse viés, destaca-se o conceito de “patrimonialismo burocrático”, elaborado por Simon Schawrstzman, no qual defende que o Estado brasileiro passou a atuar de forma contrária às prerrogativas constitucionais, não efetivando, assim, direitos basilares aos cidadãos, como o acesso a um meio ambiente sustentável e equilibrado. Tal panorama se reflete na escassa fiscalização das atividades de empresas privadas, no que concerne ao destino final do lixo eletrônico, somado ao incipiente número de postos de coleta seletiva no país. Em decorrência disso, o meio ambiente sofre com a contaminação dos lençóis freáticos devido a presença de chumbo e mercúrio presentes em celulares e computadores.
Outrossim, é cabível pontuar o pouco comprometimento do Sistema Educacional brasileiro com essa temática. Nessa perspectiva, destaca-se a obra “Reinventar a Escola”, da teórica Vera Maria, na qual defende que o rígido currículo escolar, essencialmente teórico, não incentiva debates fundamentais, como a importância de uma educação sustentável para o corpo discente. Consequentemente, forma-se uma geração que desconhece os efeitos do lixo eletrônico no meio ambiente.
Portanto, cabe ao Poder Executivo a criação de órgãos ambientais que visem fiscalizar o descarte correto do lixo pelas indústrias, além da construção de mais centros de coleta seletiva. Isso deve ocorrer por meio da readequação de verbas da União com a finalidade de diminuir os impactos do lixo eletrônico no ambiente. Paralelamente, o Ministério da Educação deve ofertar fascículos nas bibliotecas que abordem os efeitos do lixo, visando a promoção da consciência ambiental.