O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente

Enviada em 04/09/2022

O filme “Wall-E” (2018), da Pixar, retrata um futuro distópico em que a produção e acumulação de resíduos resultaram na transformação da Terra num planeta estéril e inóspito. Paralelamente à ficção, no Brasil contemporâneo, nota-se que o processo de geração e descarte do lixo eletrônico impacta negativamente o meio ambiente. Nesse sentido, tal problemática advém, sobretudo, do déficit educacional e da incipiência da infraestrutura de reciclagem.

Em primeira instância, cumpre salientar que as fissuras no ensino formal fomentam o impasse. Sob esse viés, cabe reportar à declaração do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, segundo o qual “muita informação não significa sabedoria”. Nesse aspecto, verifica-se que as instituições de ensino tupiniquins, ao priorizarem a ministração de conteúdos necessários à realização de exames para ingresso em universidades, os quais são demasiadamente teóricos, negligenciam assuntos relacionados à preservação ambiental e sustentabilidade. Dessa maneira, formam-se indivíduos despreparados a respeito da correta destinação do “e-lixo”.

Outrossim, vale ressaltar que a precariedade do sistema de reprocessamento de eletroeletrônicos agrava a mazela. Sob esse prisma, consoante a pesquisa “Resíduos eletrônicos no Brasil - 2021”, apesar de ser o quinto maior gerador desse tipo de rejeito no mundo, o país recicla apenas 3% dos aparelhos. Nesse contexto, a escassez de pontos de coleta e sua concentração em capitais dificultam a logística reversa dos componentes. Dessa forma, sua deposição irregular em lixões faz com que as substâncias tóxicas presentes nesses artigos contaminem os ecossistemas.

Depreende-se, portanto, que a lacuna formativa e a ineficácia da rede de reconversão de aparelhos tecnológicos engendram tal óbice. Urge, então, que o Ministério da Educação - órgão responsável pelo sistema educacional nacional - promova a instrução dos estudantes acerca da correta destinação do lixo eletrônico, por intermédio da inserção da Educação Ambiental como disciplina obrigatória no currículo escolar, a fim de minimizar os prejuízos à biosfera decorrentes de seu descarte inadequado. Ademais, é mister que o Ministério do Meio Ambiente amplie a distribuição de centrais de recolhimento e reciclagem desses materiais. Dessarte, a conjuntura observada em “Wall-E” poderá ser evitada.