O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente
Enviada em 11/09/2022
Perante um cenário tortuoso, é sensato recorrer à ficção como estratégia de fuga da realidade. Não por menos, o tomo “Utopia”, escrito em 1516 por Thomas More, destaca-se como um refúgio para o atual cenário brasileiro. Na obra, More discorre sobre uma sociedade ideal em que inexistem conflitos e desequilíbrios sociais. Externo à literatura, nota-se que a distância entre a “Utopia” e o panorama vigente no país não é apenas temporal, uma vez que a exposição a doenças e a bioacu -mulação de metais pesados fomenta uma realidade inóspita. Ainda, cabe ressaltar que esse infor -túnio é calcado na morosidade do Estado e na falta de informações acerca dos impactos negativos do lixo eletrônico.
De início, há de se constatar a inobservância estatal como mantedora dessa cala-midade. Segun -do o jornalista Gilberto Dimenstein, configura-se no Brasil uma Cidadania de Papel, isto é, ainda que o país detenha um sólido conjunto de leis, elas se atêm, de forma geral, ao plano teórico. Nessa perspectiva, é evidente a manutenção de uma inércia governamental, de modo que os investimen -tos em pesquisas que visem o manuseio e a reutilização de lixo eletrônico são irrisórios, indicando que a omissão do poder público contribui para a conjuntura vigente.
Por conseguinte, é evidente que a lacuna educacional potencializa esse revés. Segundo o sociólo -go Florestan Fernandes, uma nação com acesso a educação de qualidade não sujeitaria seu povo a condições de vida insalubre. Nesse sentido, a lacuna no conhecimento da população acerca dos impactos negativos do acumulativo do lixo eletrônico tem sérias consequências para a sociedade. Tal como a contaminação de rios e solo, a acumulação desses metais na cadeia trófica, além do ris -co de desenvolvimento de tumores.
Destarte, intervenções são necessárias para emancipar o povo desse óbice. Para tanto, cabe ao Poder Executivo, órgão supremo administrador da nação, o dever de criar oficinas públicas, com o objetivo de instruir a população sobre os malefícios do lixo eletrônico, além de elencar as atuais falhas na atuação do Estado. Feito isso, ainda que não haja resolução imediata para a lacuna educacional, por meio desses dados, é possível mitigar a negligência estatal, de maneira que a população usufruirá de tais avanços. Assim, a “Utopia” de More deixará de se ater apenas ao plano artístico e poderá ser alcançada pela coletividade.