O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente
Enviada em 04/11/2022
O escritor Gilberto Dimestein, na obra “O cidadão de Papel”, delata a ineficiência de instrumentos jurídicos, o que evidencia uma cidadania ilusória - metáfora usada pelo autor. Nesse contexto, pode-se associar tal alegação à realidade brasileira, hodiernamente, como os desafios da logística reversa e do controle na geração de lixo eletrônico no meio ambiente. Mormente, isso é ocasionado pela indiferença estatal e pela ausência de empatia, feitos que eternizam essa problemática.
Com efeito, consoante ao declarado no trecho “Ninguém respeita a Constituição”, na canção “Que país é esse” da banda Legião Urbana, a omissão do governo impossibilita a implementação eficaz da logística reversa. Por sua vez, essa conjuntura origina-se de tal modo que, apesar de existir a Política Nacional de Resíduos Sólidos, os descartes não são reconvertidos em matérias-primas, a exemplo das embalagens, que são atiradas no meio ambiente. Portanto, indivíduos padecem com o aumento dos gastos públicos e têm as garantias, previstas na legislação pátria, desprezadas, visto que não há respeito à Carta Magna.
Ademais, o egoísmo no corpo social é um entrave à solução ao combate no aumento da geração de lixo eletrônico. Nesse sentido, em sua tese “Modernidade Líquida”, o filósofo Zygmunt Bauman afirma que a contemporaneidade é caracterizada pela instabilidade das relações sociais. Acerca disso, frisa-se que a inércia coletiva expõe a verdade bauniana ante a carência de processos de reciclagem, pois somados ao crescimento na produção desses dejetos, só dois por cento têm esse correto fim, segundo a Fundação Heiricj Boll. Isso decorre devido à compulsão de cidadãos com suas vontades egocêntricas, assim, menospreza-se a comunidade. Logo, a insensatez cidadã afeta o sustento dos catadores que poderia gerar renda a partir dessa sistemática no meio ambiente.
Destarte, o Ministério do Meio Ambiente deve criar ações esclarecedoras em plataformas digitais, tais como Youtube e TikTok, por meio de filmes informativos sobre os impasses para a logística reversa e para a correta destinação do lixo eletrônico na natureza. Afinal, essa dinâmica tem a finalidade de mitigar a negligência do Estado e o descaso da sociedade com a empatia, além de refutar a ideia da cidadania ilusória.