O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente

Enviada em 10/10/2024

Em 2021, a Organização das Nações Unidas organizou um dos maiores eventos de preservação ambiental da história recente: a Conferência da ONU sobre biodiversidade, também conhecida como COP-15. Todavia, o descarte irregular do lixo eletrônico mostra que o Brasil desrespeita os objetivos propostos na convenção. Assim, para promover a preservação dos solos e dos rios, há de se combater a irresponsabilidade social, bem como a omissão estatal.

Diante desse cenário, o descaso com os resíduos eletrônicos motiva a contaminação ambiental. Nesse viés, embora o artigo 255 da Carta Magna assegure o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, o Brasil ainda está distante de vivenciar tal realidade, principalmente por causa da irresponsabilidade coletiva. Esse problema é evidenciado no descarte inconsciente do lixo eletrônico - sobretudo celulares quebrados e pilhas - que são jogados em aterros e lixões. Desse modo, é incoerente que a falta de consciência da sociedade ainda seja o maior causador da contaminação dos solos e dos rios.

Ademais, a inércia do Estado motiva a perpetuação do problema. Nesse sentido, Norberto Bobbio - expoente filósofo italiano - afirma que as autoridades devem não apenas ofertar benefícios da lei, mas também garantir que a população usufrua na prática. Sob essa lógica, a partir do raciocínio de Bobbio, o governo precisa não apenas criar políticas públicas de preservação, mas também sensibilizar a população nesse sentido. Essa ausência de iniciativa estatal é evidenciada pela carência de grades curriculares nas escolas que ensinem sobre os tipos de resíduos e como eles devem ser descartados. Dessa forma, enquanto a omissão for a regra, a consciência coletiva será a exceção.

É urgente, portanto, que as escolas - responsáveis pela transformação social - contribuam para sensibilizar as pessoas sobre os impactos ambientais do descarte irregular, por meio de ações comunitárias como palestras que ensinem sobre os tipos de lixo e como eles devem ser descartados. Além disso, o Estado deve implementar grades curriculares sobre educação ambiental nas escolas. Essas iniciativas terão a finalidade de promover a preservação da natureza e garantir que os objetivos da ONU sejam, em breve, a realidade no Brasil.