O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente
Enviada em 21/10/2025
No filme ‘Wall-e", a humanidade abandona a terra para viver em uma nave, isso porque o planeta encontra-se inapropriado para a manutenção da vida, devido ao excesso de poluentes e sucatas no ambiente. Análogo à ficção, a visão distópica da obra cinematográfica não difere da realidade encontrada em diferentes ambientes naturais no Brasil, em que a paisagem sofre alterações causadas pela a produção e o descarte inadequados do lixo eletrônico, além da bioacumulação de metais pesados, oriundos da decomposição de resíduos eletrônicos, nos seres vivos.
A priori, a fabricação irrestrita e o descarte irresponsável de peças digitais provoca um acúmulo significativo de e-lixo no ecossistema. Nesse contexto, é importante destacar o conceito de “Obsolescência Programada”, em que os equipamentos digitais são projetados com durabilidade reduzida, para que aja um consumo constante. Entretando, tal sistema provoca um aumento exponencial na compra de eletrônicos digitais e consequentemente no descarte incorreto e abundante destes em aterros sanitários, que sofrerão as intemperies do tempo, causando a solubilização de seus componentes no solo e a infiltração em corpos d’água, acarretando a intoxicação dos organismos e a morte do solo. Assim, fere-se o princípio da Ética de Resposabilidade do ambientalista Hans Jonas, que o cuidado ao meio ambiente é continualmente ignorado, prejudicando o biossistema e a vida.
A posteriori, os metais pesados dos componentes eletrônicos gera a redução da biodiversidade. Nesse sentido, metais como lítio, alumínio e cobre acumulam nos tecidos vegetais e animais, isso porque não são metabolizados pelos os organismos vivos. Com isso, a intoxicação dos seres vivos tendem a aumentar ao longo da cadeia alimentar atingindo, sobretudo, o ser humano. Assim, a perda dos micros e macros organismos dos solos e dos mares impactam diretamente nos ciclos de manutenção da vida na terra, como o ciclo do carbono e do oxigênio.
Portanto, urge a Câmara dos deputados em conjunto com as prefeituras municipais que desenvolvam polos de reciclagem de componentes eletrônicos descartados, em todas as cidades da União, por meio de um projeto de lei que destine recursos para a construção e a manutenção desses centros, a fim de reduzir os impactos do e-lixo e evitar um cenário indelével como em “Wall-e”.