O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 25/10/2019

A série “Sex Education”, produzida pela Netflix, retrata o drama adolescente e suas vivências, principalmente, no ambiente escolar. Na trama, fica evidente que, por algumas falhas, a escola vira um ambiente conturbado, prejudicando a vivência acadêmica. Fora da ficção, o mau comportamento e a agressividade dos alunos, infelizmente, crescem no ambiente escolar brasileiro, prejudicando o ensino. Tal problemática se agrava quando não há contato entre a escola e as famílias e pela falha da educação em seu papel de formar indivíduos íntegros.

A princípio, é fundamental analisar as condições socioambientais dos estudantes e como elas interferem na vida dos jovens. Nesse prisma, de acordo com o psicanalista Freud, o ser humano se configura como um sintoma social, refletindo em seus hábitos aspectos de seu cotidiano. Dessa forma, crianças que vivem em ambientes conflituosos tendem a manter esse comportamento no decorrer de sua vida, prejudicando-as, principalmente, no ambiente escolar. De tal maneira, a escola deve trabalhar mutuamente com as famílias, alertando-as sobre os impactos de suas ações na vida de seus filhos.       Ademais, é imprescindível ressaltar, para além dos aspectos psicológicos, o descaso educacional com diretrizes básicas do ensino. Nesse viés, segundo o filósofo e pedagogo Paulo Freire, a educação deve formar indivíduos críticos capazes de interagir socialmente. Entretanto, a educação brasileira é focada apenas em cumprir a carga horária curricular, suprimindo o ensino de questões éticas básicas, como o respeito. Com isso, os alunos por falta de orientações essências para o convívio, acabam ficando à mercê de práticas rudimentares, como a violência.

Infere-se, portanto, que ainda há impasses sociais que garantem a manutenção do mau comportamento dos estudantes, assim, são necessárias medidas de intervenção. Por conseguinte, urge que as escolas promovam um maior contato com as famílias dos alunos, por meio de reuniões semanais e visitas em domicílio, fortificando, assim, a promoção de ambientes mais saudáveis para os jovens, e impactando positivamente em seus hábitos escolares. Concomitantemente, cabe ao Ministério da Educação e Cultura (MEC), promover uma reflexão dos estudantes sobre a violência nas escolas, mediante a inserção no currículo estudantil de matérias que os ensinem sobre os princípios básicos sociais, garantindo, consequentemente, a diminuição do mau comportamento. Apenas sob tal perspectiva, o caos escolar ficará limitado à ficção.