O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 27/10/2019
Segundo Ralf Dahrendorf, filósofo alemão, “a anomia é uma condição onde as normas reguladoras do comportamento das pessoas perderam sua validade”. Nessa perspectiva, visto que ocasiona problemas tanto para a instituição quanto para os alunos e professores, a prática da violência escolar, seja ela verbal, física ou psicológica, configura um cenário de anomia social. Em suma, esse quadro é fruto da imperícia familiar na educação das crianças, que, agrava pela inação governamental, acaba por perpetuar essa problemática.
Precipuamente, é encargo da família, primeira fonte de contato do indivíduo com o meio social, civilizá-lo de modo a possibilitar o seu convívio em sociedade. Assim, conforme Platão, deve-se educar as crianças para que não seja necessário punir os homens. Sob tal ótica, percebe-se que a incidência do comportamento violento em ambiente escolar denota, primeiramente, a negligência parental no ensino do civismo entre as gerações. Desse modo, a ausência de direcionamento nos primeiros anos de vida do cidadão a respeito dos valores morais e éticos necessários à convivência harmoniosa, tal qual o respeito aos mais velhos, implica no agravamento dessa conjuntura.
Faz-se mister, ainda, salientar a indolência governamental como impulsionadora do problema. Consoante o artigo 3 da Carta Magna de 1988, é incumbência do Estado assegurar uma sociedade livre e justa, atestando o bem de todos. Nesse viés, a ocorrência de episódios de agressividade dentro das instituições de ensino evidencia, além da falta da educação em âmbito familiar, a desídia estatal no cumprimento das suas atribuições. Por conseguinte, a disseminação de atos hostis no meio escolar ameaça o que, segundo o iluminista inglês John Locke, é um direito inalienável do homem, a vida.
Portanto, é fulcral uma tomada de medias que solucionem o impasse. Assim, urge que os núcleos familiares dos indivíduos, por intermédio de diálogos e pondo-se como exemplo, orientem, desde cedo, as crianças e jovens acerca das práticas de um cidadão. Destarte, pode-se suscitar o respeito nas escolas, coibindo comportamentos agressivos. Ademais, como já dizia o economista francês Robert Turgot, o princípio da educação é pregar com o exemplo. Logo, o Ministério da Educação deve promover nas escolas, feiras com profissionais, tais como psicólogos e pedagogos, que discutam e evidenciem as mazelas das diversas formas de agressão em ambiente escolar, a fim de atenuar a anomia descrita por Dahrendorf.