O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 26/10/2019
Na série televisiva " Sex Education", é retratado o comportamento violento de um jovem que pratica bullying e agride seu colega de turma. Nesse sentido, a direção da escola é obrigada a agir diante da situação e pune o agressor, fazendo com que ele cumpra tarefas complementares, limpando a escola. Fora da ficção, no Brasil, condutas violentas e mau comportamento ainda são um problema no ambiente escolar, sendo necessário analisar como a omissão escolar e a falta de diálogo familiar influenciam na problemática.
Em primeiro lugar, é importante destacar que a negligência familiar é a principal responsável pelo mau comportamento do filho. Isso acontece porque, segundo Zygmunt Bauman, na obra “Modernidade Líquida”, as relações familiares estão cada vez mais superficiais e frágeis, gerando a carência de diálogos importantes sobre respeito e empatia. Em consequência disso, o filho se torna um aluno com lacunas no desenvolvimento de seu caráter, que podem ocasionar ações agressivas, como o racismo, homofobia e até violências físicas que coloquem em risco a vida de seus colegas de classe e professores.
Atrelada à falta de diálogos efetivos por parte da família, a indiligência escolar também é responsável pela crescente agressividade do estudante. Nesse sentido, conforme defende o sociólogo francês Pierre Bourdieu, em sua teoria “Habitus”, as estruturas sociais são incorporadas durante o processo de socialização, fazendo com que piadas preconceituosas e até mesmo ações violentas sejam naturalizadas. Isso acontece porque comportamentos inadequados, muitas vezes, passam despercebidos pela direção escolar e ganham força entre os alunos. Em razão disso, as bolhas sociais criadas na escola, principalmente de grupos que praticam bullying, crescem e se perpetuam.
É evidente, portanto, que medidas são necessárias para atenuar a problemática. Sob esse aspecto, o Ministério da Educação deve investir, por meio de verbas públicas, em profissionais qualificados, como psicólogos, para promover projetos, por exemplo rodas de conversa, com o objetivo de reunir pais e alunos e conscientizar sobre a importância do diálogo e a solidificação dos relacionamentos familiares. Além disso, deve incentivar atividades escolares que mostrem os riscos e as consequências de comportamentos agressivos, a fim de evitar conflitos e reeducar jovens rebeldes. Dessa forma, será possível garantir a segurança na escola e o bem estar familiar.