O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 27/10/2019

“Tudo que se passa no onde vivemos, é em nós que se passa”, afirma Bernardo Soares, heterônimo de Fernando Pessoa, em  O Livro do Desassossego. Sob esse viés, o onde vivemos reflete e é reflexo de quem somos, de tal modo que os problemas que se passam no Brasil devem ser da conta de todos os brasileiros. Nesse contexto, importa compreender a urgência em encontrar caminhos para a erradicação do mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar, cujos principais motivos dizem respeito à banalização do mal e à precariedade de valores na pós-modernidade.

A priori, convém ressaltar que no Brasil hodierno a população é bombardeada com cenas de violência e que fazem apologia a ela na mídia. Esse constante contato com a maldade levou, de acordo com Hannah Arendt, socióloga alemã, à banalização do mal, tese apresentada em sua obra “Eichmann em Jerusalém” para explicar que com a trivialização da violência, o homem tornou-se menos sensível a ela e mais suscetível a praticá-la com naturalidade. Logo, a conduta agressiva dos alunos no ambiente escolar é um reflexo dessa normalização do mal na sociedade.

A posteriori, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, um dos derradeiros pensadores da totalidade contemporânea, empenhou-se na reflexão da precariedade de valores e da metamorfose comportamental da humanidade. Isto posto, importa a compreensão da agressividade e do mau comportamento dos jovens na escola como reflexo da deterioração dos valores na sociedade. Assim, desencadeou-se a falência de preceitos importantes, tais como o respeito às autoridades e ao próximo, o que leva a juventude a não respeitar a individualidade do outro e agir de forma impulsiva e, em muitos casos, violenta.

Urge, portanto, que ações sejam tomadas para erradicar o mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar. Desse modo, o Poder Legislativo, arquiteto das leis, deve engendrar leis que imponham à mídia, quarto poder, a minimização do número de cenas de violência e que façam apologia a ela em horários e programas que tenham um grande número de espectadores jovens, a fim de minimizar os impactos da banalização do mal. Outrossim, às escolas, formadoras de cidadãos, em parceria com as famílias, transmissoras de valores, cabe dialogicamente conscientizar a juventude a respeito da importância de se respeitar o espaço e a individualidade do outro, com vista a criar valores sociais sólidos e mitigar os casos de mau comportamento e a violência nas escolas. Assim, consoante Pessoa, será assumida a responsabilidade de mudar o onde vivemos.