O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 27/10/2019

O brutal ataque ocorrido neste ano em Suzano, São Paulo, em que dois ex-alunos invadiram uma escola  e atacaram a tiros alunos e educadores, expôs até onde pode chegar a escalada da violência no ambiente de ensino, em curso no Brasil. Na gênese desse episódio grotesco, estão atos corriqueiros de desrespeito e agressões que ocorrem nas salas de aula brasileiras - muitas vezes gravados por celulares e divulgados nas redes sociais. Nesse cenário, é indubitável que as famílias e a escola estão falhando na formação dos jovens cidadãos, o que reflete no mau comportamento e na agressividade crescente dos alunos no ambiente escolar. Portanto, faz-se preciso analisar as causas e consequências, bem como propor soluções, para essa mazela social brasileira.

Em primeiro plano, cabe ressaltar que o sistema de ensino básico apresenta sérios problemas estruturais no Brasil. Prova disso é que, frequentemente, a mídia noticia casos de falta de docentes ou de más condições das salas de aula no território nacional. Esse descaso do poder público é uma causa fundamental para o agravo do mau comportamento e da agressividade dos alunos, tendo em vista as precárias condições oferecidas aos educadores para que atendam às necessidades de formação de um número excessivo de educandos, em turmas superlotadas. Soma-se a isso, a negligência de muitas famílias que deixam de acompanhar a educação dos filhos ou, pior do que isso, desrespeitam ou mesmo agridem professores em seu local de trabalho.

Como consequência, são altas as frequências  de atos de desrespeito e agressões no ambiente escolar no Brasil. Tal fato, evidencia-se nos dados divulgados pela IBGE que revelam que cerca de 30% dos alunos brasileiros confirmam terem sido vítimas ou agressores em casos de “bullying” entre estudantes. Além disso, é alarmante o número de casos de ameaças ou ataques a professores no País. Exemplo disso é que têm sido registradas, em média uma ocorrência dessa categoria a cada três dias no Rio de Janeiro, conforme dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Estado.

Diante do exposto, para barrar o crescimento do mau comportamento e das agressões entre os alunos brasileiros, urge que o Ministério da Educação atue, em conjunto com Ministério Público e Conselhos Tutelares, para identificar as principais carências em escolas de todos os municípios do País para realizar a contratação emergencial de docentes naquelas que estiverem com turmas com mais de 30 alunos e para que sejam convocadas reuniões entre pais, educadores e as autoridades municipais para que haja medidas conjuntas de combate à violência física ou moral nas escolas. Como efeito, famílias e professores poderão frear agressões antes de novos massacres como o de Suzano.