O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 02/11/2019

No decorrer da História é possível verificar que o acesso à educação era exclusivo a grupos sociais privilegiados. Na modernidade, em muitos países e especialmente no Brasil, o Estado foi incumbido de fornecer educação de qualidade para toda a população. Entretanto, o que outrora fora considerado um privilégio, atualmente é banalizado. Nesse contexto, observa-se o mau comportamento e a crescente agressividade de alunos no ambiente escolar por conta do sucateamento das instituições de ensino e da falta de boas referências de ética para os estudantes.

Em primeiro lugar, é importante destacar que a infraestrutura precária das escolas brasileiras torna o período escolar pouco prazeroso e tira de foco o processo de aprendizagem. A partir disso, para facilitar o tempo de permanência obrigatória nesses lugares, o aluno leva consigo outros mecanismos de distração - como o celular, por exemplo. Na tentativa de chamar a atenção do estudante para o que está sendo ensinado na aula, muitos professores repreendem tal comportamento, o que gera, muitas vezes, uma indignação no aluno que se dá o direito de agredir o professor verbalmente e, em casos extremos, fisicamente.

Além disso, há uma disseminação demasiada de notícias ruins e desastres pela imprensa e pelos próprios indivíduos - seja em suas redes sociais, seja em suas conversas com seus vizinhos. Com isso, a repercussão de exemplos de boas práticas fica abafada, o que dificulta a adoção de um referencial de ética pelo estudante: a quem recorrer se dentro de casa o pai grita até com a atendente de telemarketing e se fora de casa há tantos casos de violência com impunidade?

Infere-se, portanto, que é necessário que sejam tomadas medidas para desconstruir a banalização do ambiente escolar que tem gerado tantos casos de violência no Brasil. Sendo assim, o Governo Federal deve aumentar as verbas do Ministério da Educação (responsável por zelar pela qualidade de ensino) para que mais recursos sejam investidos na infraestrutura das instituições de ensino públicas e na capacitação dos professores, com o objetivo de fornecer ao estudante um ambiente mais atraente. Ademais, a imprensa, também conhecida como o quarto poder, deve utilizar sua influência para reproduzir mais atitudes de gentileza e outras boas notícias em detrimento de notícias sensacionalistas, para que as pessoas se inspirem e também coloquem em prática boas atitudes. Afinal, conforme afirmou Paulo Freire: “quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”.