O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 29/10/2019

Sob a perspectiva histórica, os educandários brasileiros, durante os séculos XIX e XX, utilizavam-se da palmatória como instrumento de repreensão a comportamentos inadequados dos discentes. Nessa óptica histórico-social, a perpetuação desse cenário, o qual o ambiente escolar é violento e produz indivíduos violentos, sucede-se pela ausência de mecanismos humanizadores e libertadores da educação no país. A partir disso, observa-se as políticas públicas aprimoradoras dos modelos escolares como preferíveis frente ao mau comportamento e agressividade crescente dos alunos na escola.

Nesse cenário, o educador Paulo Freire, em sua obra “Pedagogia do oprimido”, concebe a ausência de uma pedagogia libertadora e humanizadora como responsável pelo desejo dos oprimidos tornarem-se opressores. Por esse panorama, a esfera colegial carecida de assistência psicológica aos discentes, baixos salários aos educadores e a pressão sobre os alunos de tirar notas desalinhadas do seu capital educacional mediatiza a configuração de um educandário opressivo com professores não exercendo o máximo de suas capacidades e alunos violentados por essa conjuntura. Dessa maneira, os estudantes revoltam-se com essa condição estrutural e oprimem os docentes, já que são os agentes públicos mais próximos aos educandos, e, por conseguinte, serão responsabilizados por carências educacionais estruturais, o que é inaceitável.

Ademais, segundo o estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, em 2017, o Brasil liderava o ranking global de violência contra professores. Mediante esse dado, nota-se um contexto análogo ao dos estabelecimentos de ensino brasileiros durante os séculos XIX e XX, em que a agressividade permeia os campos educacionais com educadores sofrendo abusos físicos, morais e psicológicos por carregarem a culpa de falhas estatais no complexo pedagógico brasileiro. Dessa forma, a culpabilidade de ausências sistêmicas educativas recaírem sobre os preceptores, os quais também são oprimidos por essas carências, não é razoável.

Portanto, é dever do Estado agir no sentido de remediar suas falhas educacionais com o desenvolvimento de aparatos humanizadores do complexo educacional. Assim, cabe ao Ministério da Educação elaborar e executar um plano nacional atualizador da estrutura pedagógica do país, contemplador de medidas para o melhoramento salarial dos preceptores, contratação de monitores assistenciais e a implantação de psicólogos e assistentes sociais nos estabelecimentos de ensino por meio de investimentos na Secretaria de Gestão Escolar para combater a agressão estrutural. Desse modo, tem-se o intuito de utilizar políticas públicas aprimoradoras do modelo educativo para mitigar o mau comportamento e a agressividade crescente no âmbito escolar.