O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 28/10/2019

‘‘Segunda Chamada’’ é uma série televisiva exibida e produzida pela TV Globo. O drama, ambientado em uma escola pública do Rio de Janeiro, mostra a rotina estudantil de professores e alunos da periferia, num contexto onde tráfico de drogas e intimidação se fazem presentes. De maneira análoga, a realidade das instituições educacionais no Brasil é similar à história fictícia: o mau comportamento e postura agressiva de parte dos estudantes, no país, leva a sociedade a refletir sobre os desafios e caminhos para vencer a questão. Assim, é lícito afirmar que a ineficiência estatal e a postura nociva de parcela das famílias, colaboram para a perpetuação desse revés.

Em primeiro plano, evidencia-se, por parte do Governo, uma ausência de políticas públicas que estimulem um ambiente escolar mais seguro e humano. Essa lógica é comprovada pelo papel passivo do Ministério da Educação e Cultura (MEC) na administração pública brasileira. Instituído para atuar como órgão máximo da gestão educacional tupiniquim, tal ministério ignora medidas que poderiam melhorar a situação violenta nas escolas, como seminários culturais que tratem do respeito às diferenças e aulas que tratem de temas como valorização ao professor e saúde mental. Dessa forma, a inobservância governamental torna-se fator crucial para a bestialidade na escola. Logo, é substancial a mudança desse quadro.

Outrossim, é imperativo pontuar que o comportamento de parte das famílias também contribui para o mau comportamento na escola. Isso decorre, principalmente, do acelerado ritmo de vida do século XXI, o qual faz o núcleo familiar adotar uma postura que desconsidera a importância de ensinar crianças e adolescentes a manter relações interpessoais saudáveis no contexto escolar, seja com os colegas de classe, seja com os educadores. Sob esse aspecto, John Locke, filósofo britânico, diz: ‘‘O ser humano é como uma tela em branco preenchida por experiências e influências’’. Percebe-se, desse modo, ao trazer a perspectiva do pensador para a problemática da violência na escola, que é essencial educar também em casa e oferecer bons exemplos que possam ser reproduzidos em sala de aula.

Infere-se, portanto, que combater o mau comportamento e agressividade dos alunos na escola é papel do Estado e da família. Posto isso, o MEC - entidade máxima de promoção da educação no Brasil - deve, por meio de um amplo debate entre Governo, profissionais da educação e sociedade civil, reformular o currículo escolar de nível fundamental e médio e incluir disciplinas como direitos humanos e ética, afim de fazer com que os estudantes desenvolvam uma consciência de respeito e empatia com o próximo. Ademais, é necessário que a escola, mediante palestras, ofereça à família instruções sobre como lidar com comportamento inapropriado por parte dos alunos.