O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 28/10/2019
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, observa-se na realidade contemporânea o oposto do que o autor prega, uma vez que as altos índices de mau comportamento e agressividade por parte dos alunos apresentam barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da passividade estatal, quanto da falta de incentivo familiar. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento social.
Em primeiro lugar, é fulcral pontuar que a crescente violência no ambiente escolar deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos capazes de coibir tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é o responsável por garantir o bem estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, os alunos das escolas públicas passam a negligenciar a educação, uma vez que não dispõem de recursos essenciais para um ensino de qualidade, como disponibilidade de professores e infraestrutura adequada. Com isso, começam a desprezar o estudo e abrem-se portas ao crime, o qual propicia o aumento de práticas violentas. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar a falta de incentivo familiar como promotor do problema. De acordo com pesquisa realizada pelo Datafolha, 58% dos jovens entrevistados em bairro popular afirmaram que os pais nunca foram de cobrá-los pelos estudos e nem acompanhavam o desempenho escolar dos filhos. Partindo desse pressuposto, é evidente a persistência da falta de preocupação dos pais com o comportamento e desempenho escolar da prole. O resultado disso é o agravamento de problemas sociais, como a violência, já que a educação é o maior meio socializante existente, e não está sendo aproveitada e valorizada nem pelos pais, nem pelos alunos. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, uma vez que a falta de incentivo familiar contribui para a perpetuação desse quadro deletério.
Por último, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço dessa problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar a crescente agressividade nas escolas, necessita-se, urgentemente, do direcionamento de capital por parte do Tribunal de Contas da União, os quais, por intermédio das prefeituras municipais, será revertido em melhorias na infraestrutura das escolas públicas, através da compra de lousas, carteiras e projetores, além da maior disponibilização de professores competentes, a fim desenvolver o interesse pela educação. Por outro lado, o Governo deve financiar campanhas, com o intuito de alertar os pais sobre a importância da educação e respeito em sala de aula. Desse modo, atenuar-se-á o impacto nocivo e a coletividade alcançará a Utopia de More.