O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 28/10/2019
A Academia de Platão, influente filósofo grego, tinha como propósito a aquisição de conhecimento através da interação e debate saudáveis, a fim de formar cidadãos conscientes e aptos a contribuir para sua polis no futuro. Nesse sentido, pode-se comparar as intenções dessa instituição com os objetivos divulgados pela LDB (Lei de Diretrizes e Bases) para a escolarização no Brasil, os quais nosso país tem falhado em cumprir, visto que os níveis de agressão no ambiente escolar tem aumentado de forma preocupante, segundo pesquisa do IBGE em 2015. Desse modo, faz-se imprescindível analisar as principais causas dessa problemática e possíveis alternativas para atenuá-la.
A priori, deve-se citar um desenvolvimento socioemocional pobre na primeira infância como grande motivador de mau comportamento na juventude. Consoante Sigmund Freud, pioneiro da psicanálise moderna, o excesso de repressão gera conduta violenta como válvula de escape para anos de trauma e abuso acumulados. Com base nisso, entende-se que uma vida familiar tóxica e permeada pela violência é grande precursora do impasse aqui tratado, pois resulta em crianças instáveis que descontam suas frustrações pessoais de forma inadequada contra seus colegas e professores, fato inadmissível para o século XXI.
Em segundo plano, é também importante indicar a falta de atividades orientadas para o crescimento pessoal de pupilos nos colégios como fator determinante para esse cenário. De acordo com Habermas, pensador da 2ª geração da escola de Frankfurt, a razão comunicativa é vital para o bom convívio em sociedade. Logo, é evidente que a negligência do Estado em estimular habilidades de comunicação nas escolas contribui para a deficiência sentida por muitos alunos em expressar seus sentimentos e processá-los de forma positiva.
Conclui-se, pois, que, a fim de atenuar esse panorama, é preciso que a Delegacia da Criança e do Adolescente aprimore a fiscalização de famílias em zonas e situações de risco, com visitas espontâneas e entrevistas com parentes, para assegurar o bem-estar dos menores e extraí-los de circunstâncias tóxicas, a fim de que eles não tenham seu desenvolvimento prejudicado. Ademais, é necessário que o Ministério da Educação exija, por meio de lei, uma maior porcentagem da carga horária do ano letivo destinada ao amadurecimento psicológico do estudantes, através de encontros frequentes com psicopedagogos e dinâmicas lúdicas com a finalidade de maior autoconhecimento e controle emocional. Assim, será possível formar adolescentes saudáveis e capazes de aprimorar nosso mundo, tais quais os alunos do visionário Platão.