O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 29/10/2019

John Locke, filósofo inglês, compara o ser humano a uma tábula rasa, um papel a ser preenchido. Ademais, essa analogia transcende a época iluminista, visto que , no século XXI, as instituições de ensino possuem um papel fulcral nessa construção crítica e social do cidadão. Entretanto, apesar dessa função, o número de casos de agressividade de alunos no ambiente escolar cresce de forma exacerbada. Diante disso, cabe discutir como o modelo escolar vigente e o capitalismo Ocidental corroboram no mau comportamento estudantil.

A priori, cabe ressaltar que o modelo pedagógico em vigor apresenta-se defasado. Isso é evidente , pois esse molde perdura desde 1950, época da industrialização e , por isso, carrega consigo, a marca de um período que fazia-se prioridade apenas a qualificação da mão de obra. Com isso, é evidente que o mau comportamento escolar possui forte relação com esse atraso na educação, haja vista que ,em muitas instituições, o objetivo principal é somente preparar o aluno para concursos. Por conseguinte, a formação da ética é alçada do cidadão corroborando o comportamento afrontoso, fato constatado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que afirma a execução do “bullying” por mais de 15% dos alunos em território nacional.

Outrossim, o capitalismo Ocidental é um pilar que impede a superação da problemática. O cantor Chico Buarque, na canção “Construção”, descreve com eficiência a rotina de um trabalhador alienado que passa mais tempo no trabalho que na própria residência. Isso possui forte correlação com a sociedade capitalista, visto que muitos responsáveis do núcleo familiar passam mais tempo em seus trabalhos e , por essa razão, não concluem de forma efetiva a educação de seus filhos. Logo, a família tende a responsabilizar a escola sobre um papel que não é da instituição, dificultando a superação de comportamentos baseados na falta de instrução e estruturação do menor.

Urge, portanto, a necessidade de auxiliar no desenvolvimento do cidadão desde a época escolar. Para isso, cabe ao Ministério da Educação adicionar a grade curricular a matéria de ética e cidadania , nas escolas públicas e privadas - no ensino fundamental e médio - a fim de proporcionar o debate de assuntos como : xenofobia, preconceito e a problemática do “bullying”. Além disso, cabe ao Poder Legislativo , em consonância com o Executivo, criar e implementar uma lei que obrigue a contratação de uma equipe de psicólogos por empresas para que , dessa forma, haja uma sessão semanal para funcionários - juntamente com seus filhos - a fim de estabelecer um crescimento emocionalmente saudável para ambos. Assim sendo, tanto as instituições de ensino quanto as famílias poderão exercer seus papéis na construção de jovens engajados no preenchimento de suas tábulas.